Rio de Janeiro, 23 de Maio de 2026

Cresce pressão para que vice-presidente da África do Sul renuncie

Domingo, 05 de Junho de 2005 às 07:17, por: CdB

O presidente Thabo Mbeki e o partido governante da África do Sul analisam como responder à crescente pressão para que o vice-presidente Jacob Zuma, acusado de haver recebido subornos, renuncie.

A carreira de Zuma, considerado o mais provável sucessor de Mbeki quando terminar o mandato, em 2009, foi manchada na quinta-feira quando um juiz confirmou a "relação geralmente corrupta" que manteve com o assessor financeiro dele, Schabir Shaik.

No fim de um julgamento de três meses que parou a opinião pública sul-africana, o juiz declarou Shaik culpado de duas acusações de corrupção e uma de fraude, fundamentalmente por um escândalo de corrupção que envolveu o grupo francês Thomson.

Mbeki pediu tempo para conhecer os detalhes da sentença e esperará até que se saiba que condenação Shaik receberá, mas desde o anúncio da decisão do juiz, há uma grande pressão para que o vice-presidente renuncie.

Fontes do governante Congresso Nacional Africano (CNA) citadas hoje pela imprensa local disseram que, se não houver a renúncia, não será cumprido o compromisso de Mbeki de lutar contra a corrupção.

No índice da organização internacional Transparência Internacional, a África do Sul é considerada o segundo país menos corrupto da África, depois de Botsuana.

Em um recente debate parlamentar, Mbeki advertiu sobre "o abuso de poder público de parte do poder executivo, por meio de manobras de corrupção, para acumular riqueza pessoal".

O nome de Zuma apareceu várias vezes no sumário do julgamento de seu assessor financeiro, mas a Procuradoria Geral não o processou por considerar que não tinha provas suficientes e também não aceitou convocá-lo como testemunha.

Mas, segundo informa hoje o jornal Sunday Times, autoridades da Procuradoria Geral se reuniram ontem para analisar o caso porque se não ordenarem o processamento de Zuma a credibilidade da instituição ficará em dúvida.

Após anunciada a decisão judicial, Zuma declarou que tinha "a consciência tranqüila" porque disse não haver cometido nenhum delito. Mbeki pediu mais tempo para analisar os argumentos da Justiça e conhecer a condenação que Shaik receberá nesta semana.
Fontes oficiais negaram as informações sobre uma reunião entre ambos, mas amanhã eles devem se encontrar em um encontro do CNA.

Enquanto isso, porta-vozes do partido governante tentaram colocar panos quentes no escândalo.
"Deveríamos evitar esse clima de excitação e não criar uma crise onde não existe", afirmou o porta-voz do partido, Smuts Ngonyama, que recentemente foi mencionado como um dos beneficiários em uma operação financeira que despertou suspeitas pela possibilidade de uma manobra de tráfico de influências.

Nos meios da CNA se considera que Zuma não tem outra opção que renunciar ao cargo para reduzir o dano que ocasionou à gestão pública. "Se fosse eu, já teria renunciado", disse ao Sunday Times um parlamentar próximo ao vice-presidente, não identificado.

O partido governante, que costuma dilatar sua decisões, tem relativa urgência em superar o assunto porque no fim do mês se reúne sua máxima direção para analisar, entre outros temas, os passos necessários para lançar o processo de substituição presidencial.

Quando começaram a vir à tona detalhes do escândalo, dirigentes da CNA e de seus aliados políticos tentaram desviar a atenção e alegaram que se tentava lesar a imagem de Zuma, apoiado pela ala esquerdista da coalizão governante.

Membros do CNA acusaram o juiz do caso, Hilary Squires, de 72 anos, de ser um "velho juiz do regime do 'apartheid'" da antiga Rodésia.

Essa não é a primeira vez na África do Sul que uma crítica contra a classe no poder, majoritariamente negra, é recebida por seus representantes com argumentos raciais.
A oposição sul-africana, que pediu desde o começo o processamento de Zuma, reiterou hoje que se o vice-presidente se mantiver no poder manchará o compromisso de Mbek

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