Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Cresce preocupação sobre dívida na zona do euro

O euro, as bolsas de valores e os bônus de países da zona do euro com alto nível de dívida caíam pelo segundo dia consecutivo nesta sexta-feira, pressionados por temores de que os problemas de Portugal e de outros países se espalhem pela Europa, levando os investidores a ativos mais seguros. (Leia Mais)

Sexta, 05 de Fevereiro de 2010 às 07:44, por: CdB

O euro, as bolsas de valores e os bônus de países da zona do euro com alto nível de dívida caíam pelo segundo dia consecutivo nesta sexta-feira, pressionados por temores de que os problemas de Portugal e de outros países se espalhem pela Europa, levando os investidores a ativos mais seguros.

Todas as atenções pairavam sobre Lisboa, onde o parlamento deve votar uma lei de financiamento regional. Os mercados veem isso como um teste crucial para a habilidade do governo português de controlar os gastos públicos, que incharam no bloco de 16 países em resposta à crise econômica.

O governo em Lisboa diz que a lei, criada pela oposição e aprovada em um comitê na quinta-feira, limitaria a sua capacidade de reduzir o déficit orçamentário para um total de 8,3 % do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano.

Junto com a Grécia e a Espanha, Portugal é um dos países da zona do euro que enfrentam pressões intensas para colocar as suas finanças públicas em ordem e acalmar os mercados, que estão preocupados com o risco de moratória.

Analistas não estão mais excluindo a possibilidade de que um país mais fraco, como a Grécia, saia do bloco, mas a maioria acredita que a união monetária vai sobreviver. Refletindo as preocupações, os investidores nos Estados Unidos e na Ásia cortaram ativos de risco e migraram para títulos do Tesouro norte-americano e para o iene, ambos vistos como seguros.

– O mercado está acompanhando de perto a capacidade de cada país de lidar com suas dívidas. Se a fé for perdida, as taxas vão subir significativamente –, disse Erkki Liikanen, membro do Conselho Executivo do Banco Central Europeu (BCE).

O euro despencou para abaixo de R$ 1,37, seu nível mais baixo desde maio de 2009. A divisa também caiu ante outras moedas seguras como o franco suíço, fazendo o banco central da Suíça tomar a medida incomum de intervir no mercado.

As ações gregas caíam 4,05%, enquanto as bolsas portuguesa e espanhola recuavam cerca de 2% após caírem de 5% a 6% na quinta-feira.

O custo do seguro contra uma moratória da dívida soberana de Grécia, Portugal e Espanha subiu para níveis recordes, e o rendimento dos bônus dos três países comparados aos bônus alemães também subiu fortemente, um sinal da crescente inquietação do investidor com as divergências fiscais dentro do bloco.

– Há, agora, uma significativa pressão de baixa sobre os índices globais, com o temor de que a situação na Grécia penetre em outras economias europeias mais fracas –, disse Owen Ireland, analista da ODL Securities.

– A confiança está extremamente frágil –, acrescentou.

Grécia tenta tranquilizar

O primeiro-ministro grego, George Papandreou, em visita à capital indiana Nova Délhi, procurou tranquilizar os céticos sobre a capacidade do governo de conduzir medidas de austeridade e controlar os níveis exorbitantes de déficit e da dívida pública.

– Eu consigo entender as dúvidas, mas essa é a razão pela qual nós precisamos (nos) provar. Nós vamos aplicar esse programa de forma crível –, disse Papandreou.

A Grécia prometeu reduzir o seu déficit em 4 pontos percentuais, para 8,7% do PIB neste ano, de 12,7 % em 2009.

Nesta semana, a Comissão Europeia aprovou o plano de redução de déficit da Grécia com duração de três anos, trazendo alívio temporário.

Mas os mercados ainda têm dúvidas sobre o poder de Papandreou de encaminhar o seu programa em meio a ameaças crescentes de agitações sociais, em um país com histórico de protestos violentos.

Agentes aduaneiros gregos iniciaram uma série de greves contra o plano de austeridade do governo esta semana, e uma greve mais ampla do setor público está marcada para o dia 10 de fevereiro.

A ameaça de agitações sociais também existe na Espanha, onde as críticas ao primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero aumentam.

Sindicatos espanhóis disseram nesta quinta-feira que fariam protestos e a oposição ameaçou fazer uma moção de censura no parlamento – uma medida que pode derrubar o governo se bem-sucedida.

A taxa de desemprego na Espanha, cuja economia despencou desde o estouro da bolha no setor de construção, está perto de 20 %.

Franco suíço

O BC suíço interveio diretamente, sem intermediários, no mercado asiático de moeda, nesta sexta-feira, para enfraquecer o franco suíço ante o abatido euro, disseram três participantes do mercado que viram a ação. Um porta-voz do banco preferiu não comentou.

A União Europeia aprovou sob condições o plano fiscal de três anos da Grécia para reduzir seu elevado déficit fiscal, mas os mercados foram abatidos na quinta-feira por preocupações de que outros membros do sul da zona do euro também tenham elevadas dívidas, incluindo Portugal e Espanha.

Nesta manhã, os investidores colocaram o euro na mínima em 15 meses ante o franco suíço, em meio a uma busca por ativos mais seguros, forçando o BC da Suíça a intervir. A intervenção viu o euro saltar para a máxima do dia a 1,4905 franco suíço, ante 1,4700 no pregão asiático. Antes, a mínima em 15 meses foi a 1,4551.

Em março de 2009, o BC suíço lançou uma série de medidas pouco convencionais para combater a pior recessão econômica em décadas, mas intervenções diretas, sem intermediários, é uma política rara.

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