Rio de Janeiro, 08 de Novembro de 2026

Cresce número de casos de anorexia após os 50 anos

A Associação Britânica de Especialistas em Dieta (BDA, na sigla em inglês) divulgou um alerta sobre o aumento no número de casos de distúrbios alimentares como bulimia e anorexia nervosa entre mulheres acima dos 50 anos na Grã-Bretanha. O aumento no número de pacientes acima dos 50 anos que apresentam distúrbios alimentares também foi observado no Brasil. (Leia Mais)

Terça, 04 de Março de 2008 às 12:19, por: CdB

A Associação Britânica de Especialistas em Dieta (BDA, na sigla em inglês) divulgou um alerta sobre o aumento no número de casos de distúrbios alimentares como bulimia e anorexia nervosa entre mulheres acima dos 50 anos na Grã-Bretanha.

Segundo a diretora da BDA, Ursula Philpot, as mulheres mais velhas que apresentam anorexia e bulimia já representam 10% das pacientes de transtornos alimentares tratadas no país. Ela afirma também que os especialistas observaram um aumento no número de homens em tratamento.

— Há dez anos era extremamente raro ver mulheres mais velhas e homens com transtornos alimentares nas unidades de atendimento. No entanto, atualmente, em uma enfermaria com 20 leitos, é mais comum ver pelo menos duas mulheres mais velhas e um homem sendo tratados —, disse Philpot.

Um porta-voz da BDA afirmou à BBC Brasil que a principal preocupação dos especialistas é encontrar o tratamento correto para estes novos casos. Segundo ele, há necessidade de alterar os tratamentos para contemplar os casos de anorexia nervosa e bulimia entre mulheres acima dos 50 anos.

— Há uma discussão sobre a criação de um novo tratamento a ser usado especialmente nestes casos —, explicou o porta-voz.

Brasil

O aumento no número de pacientes acima dos 50 anos que apresentam distúrbios alimentares também foi observado no Brasil.

Apesar da falta de dados sobre a incidência destes casos no país, o aumento provocou a criação de um departamento especial para atendimento destes casos no principal centro especializado em transtornos alimentares do Brasil.

Em entrevista à BBC Brasil, o médico Táki Cordas, fundador do Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares do Hospital das Clínicas de São Paulo (Ambulim), afirmou que a equipe criou um centro especial para tratar essas pacientes e que o tratamento é similar ao das pacientes anoréxicas mais jovens.

— Criamos um ambulatório que chamamos de transtornos alimentares refratário para tratar de pacientes que apresentam o início da doença depois dos 40 anos, além de outros casos —, disse o médico.

— O tratamento é muito parecido, no entanto o impacto é maior nas pacientes de mais idade. Nestes casos, por exemplo, a terapia é individual, não em grupo. O tratamento é mais intenso —, afirmou Cordas à BBC Brasil.

De acordo com ele, a intensidade do tratamento é maior porque a evolução da doença é mais grave nas pacientes mais idosas.

Mídia

Cordas afirma que, a exemplo do Brasil e da Grã-Bretanha, o aumento no número de mulheres acima dos 40 anos que apresentam distúrbios alimentares deve ser um fenômeno comum em outras sociedades.

— As sociedades industriais são tão parecidas que vamos encontrar o fenômeno em outras regiões, não vejo porque isso seria um fenômeno isolado —, disse o médico à BBC Brasil.

Segundo ele, uma das causas para o aumento no número de casos pode ser a pressão por ter um corpo esbelto e aparentar ser mais jovem, a exemplo das celebridades.

— Estamos vendo casos nos quais as mulheres mais maduras, que poderiam ser menos suscetíveis a estas pressões, estão respondendo a estas exigências sobre a imagem —, afirmou.

— Algumas mulheres depois dos 50 anos ficaram deformadas pelo abuso das cirurgias plásticas. Acredito que a obsessão pelas plásticas e o aumento no número de pacientes com transtornos alimentares acima dos 40 anos podem ser fenômenos correlacionados —, concluiu o médico.

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