A Itália pode estar em recessão, mas a indústria da pornografia neste país tradicionalmente católico está florescendo e se tornando mais tecnológica a cada dia, segundo um estudo co-patrocinado pelo Vaticano e divulgado na quinta-feira.
O estudo, feito pelo respeitado instituto Eurispes, diz que o objetivo do setor é fornecer pornografia "24 horas por dia" por meio de celulares, televisão e Internet.
Ele afirma que o faturamento do setor atingiu 1,1 bilhão de euros (1,4 bilhão de dólares) em 2004, um crescimento de cerca de 100 milhões de euros sobre o ano anterior e de 27 por cento em relação a 1991.
Isso equivale a cerca de um terço do faturamento da italiana Mediaset, um dos maiores conglomerados europeus de mídia, ou a mesma arrecadação dos produtos de luxo do grupo Giorgio Armani.
Os sex shops que vendem vídeos, DVDs e outros produtos se proliferam pela Itália. Os pontos mais procurados são nas saídas rodoviárias, ao lado de postos de gasolina.
Mas a maior parte do faturamento vem da assinatura de canais pornográficos da TV, de vendas online, de telefonemas para números de sexo e na venda de clipes para celulares de terceira geração.
- A ligação entre pornografia e tecnologia de informação já está entranhada e multiplicou a oferta de forma irreversível - disse o relatório de 65 páginas, realizado com apoio da Comissão de Comunicação Social do Vaticano. ]
- A estratégia agora é dar aos consumidores um tipo de serviço 24 horas, usando a tecnologia mais avançada e também recursos tradicionais - ressaltou.
Em 2004, os italianos gastaram cerca de 247 milhões de euros assinando canais pornôs na TV, um produto cuja oferta está aumentando. Isso representa um crescimento de 63 milhões de euros em relação ao ano anterior.
Os dados da Eurispes contrastam com os indicadores econômicos gerais da Itália, que mergulhou em recessão após dois trimestres consecutivos de retração.
-As cifras para a venda geral de pornografia são enormes", disse o arcebispo John Foley, presidente do departamento de comunicações do Vaticano.
- O dinheiro investido é astronômico e os efeitos, especialmente nas crianças, são frequentemente devastadores.
O estudo mostrou que 8,8 milhões de italianos, ou 15% da população, consomem pornografia. Para Foley, isso demonstra uma situação "triste e desoladora" da sociedade.
O presidente da Eurispes, Gian Maria Fara, disse que os intelectuais não podem, em nome da liberdade de expressão, ignorar o problema.
- Frequentemente, o que é aceito por todos não é bom para todos - obervou.