O militar rebelde Julio Herrera, um dos líderes do até agora desconhecido "Movimiento Militar Generacional", disse nesta quarta-feira que o surgimento do grupo não é um fato isolado e anunciou que comandantes de tropas da Bolívia vão se unir ao seu pedido de renúncia do presidente Carlos Mesa e de fechamento do Congresso.
"Falamos com os oficiais que estão no comando das tropas e que vão fazer os respectivos pronunciamentos em apoio a este movimento", declarou, em entrevista a uma emissora de rádio, de algum ponto de La Paz.
Herrera, tenente-coronel do Exército, frisou que o movimento do qual faz parte é formado por "tenentes-coronéis, majores, capitães e sargentos" das Forças Armadas, e por "civis patriotas", decididos a governar a Bolívia.
Ele rejeitou a versão dos altos comandos militares de que o grupo não representa o sentimento da corporação como um todo. "Isso não é um fato isolado, estamos decididos a seguir adiante em nossos objetivos", defendeu, ressaltando que existe um nítida insatisfação nas instituições militares, motivo pelo qual, segundo ele, alguns dos generais da ativa passarão à reserva e outros serão julgados.
"Por estratégia, não vamos revelar o número do nosso efetivo", despistou, acrescentando que "se a parte civil pedir que assumamos o governo, vamos fazê-lo, desde que a população e as organizações de profissionais nos apóiem".
O oficial revelou que nas próximas horas seu grupo divulgará um segundo comunicado, no qual exporá "a posição firme e concreta à qual queremos chegar", e garantiu que tanto ele, como Julio César Galindo, outro militar de mesma patente, foram ameaçados e são procurados pelos organismos de inteligência militar. Herrera frisou que, embora não tenham passado para a clandestinidade, não pretendem se expor a represálias.
Segundo ele, o movimento não tem fins golpistas. "Não estamos buscando um golpe de Estado", garantiu.
Bolivianos anunciam trégua durante Corpus Christi
O líder camponês Román Loayza anunciou trégua de um dia, a quinta-feira de Corpus Christi, nos protestos sociais que mantêm La Paz isolada desde o início da semana por causa da nacionalização de combustíveis bolivianos.
"Temos de ser respeitosos (com a festa católica), por isso vamos dar um dia de descanso aos nossos irmãos marchistas", disse Loayza, líder da Confederação Sindical Única dos Trabalhadores Camponeses da Bolívia.
O dirigente agrário, que deu ultimato até sexta-feira ao Congresso para tratar a nacionalização do petróleo e gás, explicou que "não tínhamos levado em conta os feriados, o dia das Mães (sexta-feira) e amanhã (quinta-feira, Corpus Christi)".
Loayza disse, porém, que as mobilizações voltarão a recrudescer na próxima terça-feira, quando o Congresso deve retomar suas deliberações após nove dias de "trabalho regional".
Aumenta pressão em La Paz sobre a lei dos hidrocarbonetos
Uma multidão formada por habitantes da cidade de El Alto seguiu nesta quarta-feira em direção à La Paz, intensificando as manifestações na capital boliviana para exigir a nacionalização dos hidrocarbonetos e a convocação de uma Assembléia Constituinte, no terceiro dia consecutivo de protestos no país.
"Nem 30, nem 50% (dos ganhos do setor petroleiro para o Estado), nacionalização!", gritavam os manifestantes, que, armados com paus e pedras, paralisaram outra vez a sede do governo boliviano.
Caminhando em colunas, os habitantes de El Alto se deslocaram sem qualquer oposição da polícia ou do Exército em direção a La Paz, para exigir o fechamento do Congreso e a cabeça do presidente Carlos Mesa, acusado de "traidor e incapaz".
Os manifestantes também mostraram sua oposição à decisão da província de Santa Cruz, pulmão econômico do país, de organizar um referendo visando sua autonomia, antes da instalação da Assembléia Constituinte.
No meio da manhã, quando a capital dava sinais de normalidade, os mani