Rio de Janeiro, 25 de Maio de 2026

Cresce a violência contra a mulher na África do Sul

Terça, 24 de Maio de 2005 às 07:19, por: CdB

Uma mulher é morta por seu parceiro a cada seis horas na África do Sul, e menos de 40% dos homicídios são punidos, segundo um estudo recém-publicado.

Essa é mais uma evidência das profundas cicatrizes sociais ainda existentes depois de transcorridos mais de 10 anos do fim do apartheid, um regime que provocou uma explosão da violência e do alcoolismo, ao estigmatizar e tirar poder dos homens negros, segundo analistas.

- Uma mulher é morta por seu parceiro íntimo na África do Sul a cada seis horas. Esta é a maior taxa (8,8 por 100 mil mulheres de 14 anos ou mais) que já foi relatada em pesquisas em qualquer lugar do mundo - afirmou o estudo.

O relatório se baseia em dados de 1999 recolhidos pelo Conselho de Pesquisa Médica, pela Universidade da Cidade do Cabo e pelo Centro de Estudos da Violência e Reconciliação. O Conselho disse que os dados, embora tenham mais de cinco anos, não estão desatualizados.

- Estimamos que 1.349 mulheres tenham sido mortas por seu parceiro íntimo em nível nacional em 1999 - disse o estudo, que reforça a reputação violenta do país.

Na semana passada, um policial matou a tiros cinco pessoas, inclusive sua mulher e três filhos, aparentemente em um surto de ciúmes.

O policial, a julgar pelo estudo, se enquadra no perfil dos criminosos: operário, agricultor ou trabalhador no setor de segurança.

O estudo afirma que as mulheres mestiças têm mais chance de serem mortas por seus namorados e maridos. Em 1999, isso aconteceu com 18,3 a cada 100 mil mulheres desse grupo racial. Para as demais etnias, as taxas foram a seguintes: negras, 8,9; indianas, 7,5; e brancas, 2,8.

O estudo mostrou ainda que os homicídios de mulheres, sem levar em conta a circunstância e autoria, são punidos em 37,3% dos casos. Nos crimes "da intimidade", a frequência das condenações cai para 35,1%. O estudo não apresentou dados sobre a punição a homicídios de homens.

Em muitos casos, a facilidade de acesso a armas e álcool foi determinante.

- As conclusões do estudo confirmam o papel do álcool na violência contra as parceiras - disse o texto.

O relatório também destaca deficiências da polícia, citando muitos casos que não foram investigados ou que tiveram falhas técnicas, com pistas importantes sendo desprezadas.

Ele recomenda que a polícia seja mais treinada para tratar do homicídio de mulheres, que o governo crie um banco de dados público sobre criminosos e que haja rígido cumprimento das medidas que restringem o porte de armas.

Outro recente estudo concluiu que o país tem um índice de mortes violentas (especialmente por armas de fogo) oito vezes superior à média global.

Flagrantes disparidades de renda, desemprego elevado, acesso a armas de fogo e alcoolismo são fatores que, segundo os analistas, fazem da África do Sul um dos países mais violentos do mundo.

O índice de criminalidade vem caindo, mas continua elevado. Entre março de 2003 e março de 2004 (últimos dados disponíveis), houve 42,7 homicídios por 100 mil habitantes, diminuição de quase 10 por cento em relação ao período anterior.

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