Cresce a adesão ao o imposto “Hobin Hood” – espécie de “IOF” europeu para o combate à pobreza. A proposta ganhou a adesão de mais 40 parlamentares espanhóis, que se reuniram a um grupo de cerca de 700 outros parlamentares europeus, os quais assinaram uma declaração apresentada no Conselho Europeu, em Bruxelas, em apoio à sua criação, na semana passada.
Pela proposta, a União Europeia criará uma taxa de 0,05% sobre grandes operações financeiras internacionais na Zona do Euro, cuja arrecadação – estimada em 300 bilhões de euros anuais - será destinada ao combate às desigualdades sociais e à mitigação dos impactos das mudanças climáticas.
A Comissão Europeia deve apresentar já no início de julho um estudo de impacto sobre o efeito que o imposto teria caso fosse aplicada à Zona do Euro. Espera-se que a proposta seja votada até outubro. Os governos da França, Alemanha e Espanha se uniram a Áustria, Bélgica, Finlândia, Hungria e Luxemburgo, os quais já se comprometaram publicamente em apoiar a medida. No entanto, apesar de o Parlamento Europeu ter dado luz verde à aplicação da taxa, em março, a proposta esbarrou reunião dos G-20.
"Especuladores devem pagar"
Entre os defensores ativos da medida está a ONG Intermón Oxfam. Em nota em seu site, a organização declara: “Os especuladores de alto risco devem pagar, já que lucram jogando com o capital”. A taxa é vista, ainda, como um “instrumento de justiça”, pelo eurodeputado Enrique Guerrero, secretário geral da delegação Socialista Espanhola no Parlamento Europeu, autor de várias propostas relativas a este imposto no Parlamento Europeu.
Segundo Susana Ruiz, responsável pela Governabilidade e Setor Privado do Departamento de Campanhas e Estudos da Intermón Oxfam, o imposto não incidiria sobre as pequenas operações, apenas pelas realizadas por “grandes instituições que trabalham com o intercâmbio de divisas, derivativos financeiros e emissões de bônus no mercado futuro.
Susana refuta o argumento dos opositores do imposto de que ele provocaria a fuga de capitais da Zona do Euro. E compara: “O Reino Unido aplica uma taxa de 0,25% para a transação de ações e isso não propiciou uma fuga da atividade da bolsa (britânica)”.