Credores e atuais gestores da Varig debateram, nesta segunda-feira, sobre a proposta da consultoria contratada para implementar o plano de recuperação da companhia que prevê suspensão por três meses do pagamento dos leasings, no montante de US$ 75 milhões, e a demissão de aproximadamente 3 mil pessoas, além de redução de salários, segundo informou o presidente da companhia aérea, Marcelo Bottini. A adesão de credores ao plano pode incluir a prorrogação pela Infraero da não cobrança das taxas aeroportuárias devidas. Uma liminar que suspendia desde setembro do ano passado o pagamento dos tributos foi derrubada na semana passada e o acórdão dessa decisão deve ser publicado na próxima quarta-feira.
- É um tripé. Nada funciona sem o outro funcionar - disse Bottini.
O presidente da Varig disse, ainda, que será necessário um ajuste na folha de pagamento da empresa, mas observou que 2,9 dispensas é o teto máximo possível para a companhia continuar as suas operações. O corte de pessoal, segundo Bottini, constava na parte do plano apresentado aos credores nesta sexta-feira. Segundo cálculos da diretoria, a redução pode significar um corte de 30% da folha de pagamento.
- O número exato de dispensas ainda não podemos precisar, pois depende do número de aviões em operação na frota - disse um dos diretores.
Para a presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Graziela Baggio, o número de demissões está muito elevado. Ela afirmou que se pensava em redução de 13% da folha, que corresponde a cerca de 1,5 mil empregados.Com número menor de funcionários, a empresa terá que voar com menos aviões.
- Se a Varig voar com menos de 63 aviões, não vai ter receita suficiente para voar - comentou a sindicalista.
Acerca do aluguel de aeronaves, o presidente da Varig acredita que as empresas de leasing poderão entrar com uma contra-proposta quanto ao período de carência, reduzindo-o dos atuais três meses. Em julho, o pagamento seria retomado. Nesse período, abril, maio e junho, a Varig se comprometeria a gastar US$ 5 milhões por mês para os reparos dos aviões. A Varig precisa entre US$ 30 e US$ 40 milhões por mês para manter suas aeronaves no ar e cumprir as rotas permissionadas.
Pesa sobre a companhia, segundo integrantes da diretoria, a possibilidade de arresto de aeronaves da Varig em solo norte-americano, mas já foram pagos US$ 4 milhões à International Leasing Financial Corporation, que tem a seu favor uma decisão judicial contra qualquer inadimplência da companhia aérea brasileira. Os principais credores da Varig são a Infraero, a BR Distribuidora, o fundo de pensão Aerus e o Banco do Brasil.