Rio de Janeiro, 10 de Outubro de 2026

Crédito no país está se normalizando, diz Meirelles

Segunda, 15 de Dezembro de 2008 às 16:54, por: CdB

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, avaliou nesta segunda-feira que as operações de crédito no país estão sendo normalizadas, depois de uma série de medidas adotadas pelo governo para combater os efeitos da crise global.

Segundo ele, a concessão média diária de empréstimos em novembro (até o dia 26) cresceu 4,7% sobre outubro e 1,0% sobre agosto, antes do colapso do Lehman Brothers, que intensificou a crise.

Entre os dados apontados como evidências da retomada, Meirelles citou o número de Adiantamentos sobre Contratos de Câmbio (ACC), que subiu para uma média semanal de mais de 220 milhões de dólares entre o final de novembro e início de dezembro, acima da média de 2008.

- Esse valor é mais que suficiente para as empresas rolarem dívidas - disse durante seminário da Standard and Poor's, na capital paulista.

Meirelles afirmou também que até o final de novembro já haviam sido liberados 94 bilhões de reais em depósitos compulsórios.

O presidente do BC evitou mencionar a política monetária, dias depois de os diretores da instituição terem mantido a taxa básica de juros do país em 13,75 por cento ao ano, diferente de outras nações, que reduziram seus juros para tentar reanimar a economia abatida pela turbulência global.

- A crise atinge os países de formas diferentes. Temos que ter cuidado para não prescrevermos remédios iguais - disse.

Segundo ele, diferente dos Estados Unidos --onde houve uma grande perda de riquezas provocada pela derrocada no setor imobiliário-- e da China --que tenta fortalecer o consumo interno para compensar o efeito da queda abrupta nas exportações--, o Brasil foi alcançado pela crise num momento de elevado nível de crescimento econômico.

- O Brasil entrou na crise com velocidade bastante acelerada. Os números mais recentes ainda são similares aos que até pouco tempo atrás eram considerados muito bons - argumentou.

Para Meirelles, o canal de crédito internacional para empresas domésticas foi o que atingiu o país de forma mais aguda. Por isso, a autoridade monetária se concentrou nesse front, incluindo redução dos empréstimos compulsórios, criação de novas linhas de ACC e abertura do redesconto para instituições financeiras com problemas de liquidez.

Linha do FED

Os empréstimos a empresas brasileiras com reservas internacionais do país, anunciados na semana passada, devem ter como fonte de recursos a linha de 30 bilhões de dólares de swap do Federal Reserve com o Banco Central do Brasil, disse Meirelles.

- Ainda não tomamos a decisão se vamos usar (a linha do Fed). Poderemos usar se julgarmos necessário - disse.

Segundo ele, os recursos do Fed seriam sacados em parcelas de 5 bilhões de dólares.

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