O Ministério Público acredita que as investigações sobre as responsabilidades pelo desmoronamento das obras da futura estação Pinheiros do Metrô de São Paulo, ocorrido em 12 de janeiro, e que provocou a morte de sete pessoas, só poderão ser concluídas no início do ano que vem. As investigações esbarram na identificação das atividades de cada um dos responsáveis pelo projeto.
De acordo com o promotor criminal Arnaldo Hossepian Júnior, que acompanha as investigações da polícia, nestes seis meses após o acidente foram ouvidas mais de 50 pessoas. Segundo ele, a situação começará a ficar mais clara quando o laudo do Instituto de Pesquisas Técnológicas (IPT) ficar pronto, o que deve acontecer entre outubro e novembro.
— O que dá para afirmar até agora é que não havia nenhum plano de evacuação da área. Entre os primeiros sinais de que algo poderia acontecer, e o desabamento, houve um intervalo de cerca de cinco minutos. Se um sistema de evacuação tivesse sido acionado, certamente as conseqüências desse acidente poderiam ter sido bem menores — diz.
Segundo ele, desde o acidente, os principais responsáveis pela obra foram ouvidos e todos os operários que estavam no local identificados. Júnior diz que o depoimento dessas pessoas tem muita relevância para se saber exatamente o que houve nos momentos que precederam a tragédia. — Eles estão sendo ouvidos pela polícia e entrevistados pelo IPT para que possamos chegar a alguma conclusão —.
A partir de agora, segundo o promotor, o laudo que está sendo produzido pelo IPT é que pode ligar os responsáveis ao que realmente aconteceu.
— O IPT está bem perto de chegar ao 'ponto zero'. Eles já estão escavando próximo à superfície do túnel que cedeu. São essas análises que vão permitir que se descubra o que provocou o acidente e com isso poderemos fazer a ligação com os responsáveis pelo que que causou o desmoronamento — diz.
Nessa escavação vão ser recolhidos escombros, amostras de concreto projetado, de rochas, e das estruturas do contorno do túnel, entre outras. O IPT diz que só vai se pronunciar sobre o assunto quando o laudo for concluído.
O Consórcio Via Amarela afirma por meio de um comunicado que as investigações estão seguindo o cronograma acertado com o Ministério Público Estadual e que a conclusão dos trabalhos deve acontecer em outubro. Somente depois disso a obra poderá ser reiniciada no local do acidente.