A ocupação dos prédios do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em Conceição do Araguaia, a 940 quilômetros de Belém, só será suspensa quando os madeireiros e grileiros forem retirados de uma área considerada reserva ambiental.
A informação é do agente da Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Conceição do Araguaia José Gladson. Desde terça-feira, cerca de 250 trabalhadores rurais do projeto de assentamento Padre Josimo Tavares, antiga fazenda Bradesco, ocupam os prédios para reivindicar a retomada de uma área de mais de 30 mil hectares invadida por madeireiros e grileiros.
Segundo Gladson, a área invadida foi considerada reserva ambiental em 1997, em um acordo feito com os trabalhadores rurais, Incra, Ibama e Instituto Interamericano de Cooperação Agrícola (IICA), que até agora não saiu do papel. Hoje o assentamento abriga cerca de 800 famílias.
- Desde o final de 2004, grupos de grileiros e fazendeiros começaram a invadir a reserva com o objetivo de vender terras e madeiras ilegalmente. Mas o Ibama, o Incra e a Polícia Federal não tomaram medidas convincentes para a retirada dos grileiros - acrescentou.
Nos últimos seis meses foram firmados vários acordos entre os trabalhadores rurais e o Incra, mas até o momento nada foi cumprido e a situação se agrava a cada dia.
Gladson revelou que um documento está sendo enviado aos ministros do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, e do Meio Ambiente, Marina Silva, para pedir providências.
- Com isso os trabalhadores rurais esperam que o Incra, Polícia Federal, Ibama e o Ministério Público ajudem a retirar os ocupantes da reserva ambiental e assegurem a contratação de vigilantes para o local - afirmou.
Segundo ele, por enquanto o clima na região é de tranqüilidade.
CPT: Ocupação só será suspensa com retomada de reserva ambiental
Terça, 03 de Maio de 2005 às 17:32, por: CdB