Rio de Janeiro, 04 de Abril de 2026

CPMI volta ao STF e pede quebra de sigilo das sanguessugas

Presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Sanguessugas, o deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ) informou que, na audiência com o ministro Gilmar Mendes, relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira, pediu que ele autorize a divulgação da lista dos parlamentares que estão sendo investigados e notificados pela comissão. (Leia Mais)

Terça, 18 de Julho de 2006 às 09:14, por: CdB

Presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Sanguessugas, o deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ) informou que, na audiência com o ministro Gilmar Mendes, relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira, pediu que ele autorize a divulgação da lista dos parlamentares que estão sendo investigados e notificados pela comissão. No despacho anterior, segundo Biscaia, o ministro tinha decretado sigilo para que toda documentação apreendida e entregue a CPMI fosse de acesso restrito aos membros da comissão.

O deputado acrescentou que, no entanto, o que se verifica é que diversos veículos de comunicação têm divulgado relações "parcialmente acertadas", que acabam por incluir nomes de parlamentares que não estão envolvidos no esquema dos sanguessugas.

-Por isso que vou solicitar ao ministro que compreenda a situação. É preferível que o presidente da CPMI declare: já notificamos 15, estamos notificando mais 42 e prosseguimos ainda verificando a situação de outros em razão do depoimento do empresário Luiz Antônio Verdoin - declarou.

O empresário Luiz Antônio Vedoin, sócio da empresa Planam, prestou depoimento durante nove dias na 2ª Vara da Justiça Federal de Mato Grosso. Vedoin que estava preso na Polícia Federal foi solto na semana passada após o depoimento.

Ainda nesta terça, a CPMI deve indicar os nomes de seis parlamentares que atuarão como sub-relatores da comissão. A intenção é sistematizar todas as informações recebidas pelo colegiado para apresentar o relatório final das investigações no início de agosto. Nesta segunda, o relator da CPMI) dos Sanguessugas, senador Amir Lando (PMDB-RO), disse que o sigilo nas investigações sobre o suposto envolvimento de parlamentares na chamada "máfia das ambulâncias" está atrapalhando os trabalhos da comissão. Segundo Lando, se o STF autorizar a quebra dos sigilos os nomes dos parlamentares acusados, "haverá um momento em que a CPMI terá que divulgar os nomes - e isso vai ser antes das eleições".

Os parlamentares envolvidos no esquema ilegal atuavam em favor da aprovação de emendas ao orçamento com liberação de recursos para a compra de ambulâncias, em geral, de uma única empresa.

Após as eleições

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Sanguessugas vai deixar para depois das eleições a apuração das denúncias de reprodução em outros ministérios do esquema que envolveu a compra superfaturadas de ambulâncias com recursos do orçamento do Ministério da Saúde. A informação é do presidente da comissão, deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ).

O parlamentar afirmou que alguns elementos obtidos na investigação indicam que o esquema caminhava também para outra linha relacionada com ônibus usados em programas de inclusão digital. Por isso, ele acredita que é possível prosseguir com o trabalho da comissão depois de concluída a fase de apuração da participação de parlamentares no esquema das ambulâncias.

- A documentação já está em poder do Ministério Público. Esta é uma CPMI que começou as investigações em estágio avançado. O início foi na própria Controladoria Geral da União e Polícia Federal. O Ministério Público, em Cuiabá, já ofereceu denúncias e o Federal para os parlamentares já está em fase adiantada. De qualquer maneira esta outra parte que envolve inclusão digital e, provavelmente, outros ministérios há uma decisão da CPMI que ficará para o período logo após as eleições porque o prazo é de 180 dias - afirmou.

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