Em meio a um ambiente de fim de festa, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Cartões Corpoativos fez, nesta terça-feira, a última reunião para votar requerimentos de convocação. Entre os pedidos está o que pede acareação entre André Fernandes, assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), e José Aparecido Pires ex-chefe de Controle Interno da Casa Civil. Foi ele quem encaminhou por e-mail a André Fernandes a planilha com o suposto dossiê de gastos presidenciais sigilosos da gestão de Fernando Henrique Cardoso.
Na agenda da CPMI também consta a votação de requerimentos que pedem a convocação do servidor do Ministério do Planejamento Nélio Lacerda e do funcionário do Tribunal de Contas da União Marco Pólo Simões. Os dois participaram de almoço no Clube Naval, em Brasília, junto com André e José Aparecido. Na ocasião, Aparecido teria admitido que o suposto dossiê havia sido feito a mando da secretária-executiva da Casa Civil Erenice Guerra.
Os requerimentos devem ser rejeitados, porque a maioria dos parlamentares na CPI é da base governista. A presidente da CPI dos Cartões, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), deverá ler, na próxima quinta-feira, o relatório final da CPMI.
Entrevista
Em entrevista a um programa de TV, na madrugada desta terça-feira, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, repetiu a explicação sobre o episódio oferecida ao Senado. Ela garantiu, no entanto, que a comissão de sindicância do ministério já concluiu o relatório e o encaminhou à Polícia Federal. Dilma garantiu que o governo montou um banco de dados com todos os gastos de governo, atual e passado.
- O Tribunal de Contas da União (TCU) reclamava de pouca transparência na prestação de contas. O que fizemos foi usar a informática para deixar esses dados disponíveis - afirmou a ministra, que negou que ter vazado as informações para a confecção de um dossiê.
- São todos dados auditados pelo TCU - disse ela, que evitou dar mais detalhes sobre o caso, porque "o inquérito da Polícia Federal ainda não foi encerrado".
Ainda na conversa com o apresentador, Dilma admitiu, pela primeira vez, que é mesmo a "mãe" do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Segundo a ministra, o PAC nasceu com o objetivo de fazer o Brasil crescer e para solucionar os gargalos de infra-estrutura.
- Muitos eram céticos, não acreditavam que fossem ser investidos R$ 500 bilhões no período. Em que pese eu ser uma 'mãe cuidadosa', o PAC está tendo sucesso por ter uma família grande: tios, primos, primas, avós, e todos muito zelosos. Quem são eles? São os ministros das áreas, Cidades, das Minas e Energia, vários ministros, mas também são os governadores e os prefeitos - disse.