Presidente nacional do PT, o deputado Ricardo Berzoini (SP) disse que o partido não deixará que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CMPI) do MST se transforme no "palco eleitoral" da oposição.
– A CPMI é um movimento político da oposição para tentar criar constrangimento político para o governo – disse.
Segundo afirmou, durante encontro com movimentos sociais, na noite passada, o PT trabalhará na comissão para investigar a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, ligada ao DEM.
– Os democratas têm uma base no setor ultraconservador do meio rural e interesse em criar esse tipo de confusão no ano eleitoral – afirmou.
Reforma agrária
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, também presente ao encontro, afirmou que o governo é contra a "criminalização" do MST.
– O governo não é a favor de nenhum ato ilegal. Sabemos que uma prática de anos foi tratar como caso de polícia movimentos sociais. Isso não significa que seremos complacentes, mas não concordamos com essa tradição conservadora – disse a pré-candidata do PT à sucessão presidencial.
Dilma, no entanto, discordou da posição manifestada por um dos coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra, João Paulo Rodrigues, segundo a qual o processo de distribuição de terra no país estaria lento. Ela apresentou balanço que mostra que no período de 2003 a 2008 foram feitos assentamentos em 43 milhões de hectares.
Vanguarda
Para Dilma, a área é significativa “e coloca o Brasil na vanguarda do processo de democratização da terra”. Comparando com outros países, ela afirmou que a Bolívia tem uma ação significativa de implantação da reforma agrária, mas com uma área de assentamento bem menor: 18 milhões de hectares de 2006 até este ano.
Segundo ela, na Nicarágua, de 1979 a 1986, foram 2,8 milhões de hectares ocupados com assentamentos. No Chile, essa área foi de 5,5 milhões de hectares; em Cuba, 5 milhões de hectares e na Venezuela, 2 milhões de hectares. Além disso, ela observou que o atual governo apoiou o movimento com linhas de crédito e com assistência técnica. Dilma criticou os governos anteriores, dizendo que “no passado se assentavam as populações e as abandonavam”.
Outro benefício que Dilma destacou foi o Programa Luz para Todos, que permitiu aos pequenos produtores facilidades como resfriar o leite, processar alimentos, como a transformação de mandioca em farinha e conservar o peixe. Sobre a invasão do MST a uma fazenda de laranjais pertencente à empresa Cutrale, ela disse que o governo tem uma posição clara de apoiar os movimentos sociais e respeitá-los, mas não pode ser complacente com qualquer ato ilegal.