O ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco foi indiciado, nesta terça-feira, como um dos principais responsáveis pelas irregularidades financeiras identificadas pela comissão mista que investiga a evasão de rendas do país, na ordem de US$ 30 bilhões, entre 1996 e 2003. Os membros da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banestado reúniram-se, nesta terça-feira, para a apreciação e votação do relatório final dos trabalhos no Senado Federal. Ao todo, foram apresentadas 51 emendas ao parecer elaborado pelo deputado José Mentor (PT-SP).
O relatório propõe o indiciamento de 87 pessoas, todas acusadas de crimes como evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Os resultados da CPMI serão encaminhados ao Ministério Público para que as investigações possam prosseguir. Segundo o deputado José Mentor, responsável pelo relatório da CPMI, houve facilidade durante a gestão de Franco "para burlar normas" e o Banco Central teria chegado a comunicar as irregularidades ao Ministério Público.
Gustavo Franco foi indiciado por lavagem de dinheiro e evasão de divisas, com suspeitas de irregularidades em autorizações especiais concedidas para bancos sediados em Foz do Iguaçu no Paraná.O relatório de mais de 600 páginas apresentado por Mentor excluiu o nome de Paulo Maluf. O ex-prefeito de São Paulo não faz parte da lista de indiciados, que inclui, entretanto, o também ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. De acordo com o relator, foram investigadas 1,60 milhão de operações financeiras, envolvendo de 500 a 600 mil pessoas.