Rio de Janeiro, 04 de Abril de 2026

CPMI apura: Todo o Congresso é suspeito

O Rio de Janeiro registrou, nesta quarta-feira, com a divulgação da lista dos parlamentares suspeitos de cumplicidade na máfia das ambulâncias, posição de destaque no cenário do crime organizado em curso no país. Ostenta o maior número de deputados apontados (13 até agora) como autores de emendas usadas para a compra de equipamentos superfaturados para prefeituras no Estado. Na opinião do deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), presidente da CPMI das Sanguessugas, como ficou conhecida a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga o caso, o Congresso, como um todo, está sob suspeita. (Leia Mais)

Quarta, 19 de Julho de 2006 às 09:54, por: CdB

O Rio de Janeiro registrou, nesta quarta-feira, com a divulgação da lista dos parlamentares suspeitos de cumplicidade na máfia das ambulâncias, posição de destaque no cenário do crime organizado em curso no país. Ostenta o maior número de deputados apontados (13 até agora) como autores de emendas usadas para a compra de equipamentos superfaturados para prefeituras no Estado. Na opinião do deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), presidente da CPMI das Sanguessugas, como ficou conhecida a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga o caso, o Congresso, como um todo, está sob suspeita.

- Acho que os fatos divulgados a partir da denúncia colocaram sob suspeita não só 10%, mas a integralidade do Congresso. Até a apresentação do relatório final, creio que os 513 deputados e os 81 senadores, de alguma forma, estão sob suspeita. O Ministério Público Federal considera que não são todos, que são apenas 57. Nós vamos apresentar a nossa posição no relatório final - disse.

Biscaia frisou, porém, que a divulgação da lista não significa que os parlamentares são culpados. E, sim, investigados.

- Nem a Procuradoria e nem nós temos certeza dos culpados, porque se o procurador tivesse certeza, ao invés de pedir abertura de inquérito, teria feito as denúncias - afirmou.

O deputado petista acrescentou que o ministro Gilmar Mendes, vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e relator do caso, manteve o segredo de Justiça dos inquéritos, mas reconhece que a comissão pode divulgar os nomes daqueles que estão sendo notificados pela CPI. Trata-se da maior investigação na história brasileira. Ao todo, estão envolvidos partidos da base governistas e da oposição, com 36 parlamentares de legendas ligadas ao mensalão. Só o PTB, do ex-deputado Roberto Jefferson, figura com 13 deputados, mesmo número do PP, enquanto o PL tem 10 deputados na relação dos investigados. O PT não tem integrantes que figuram na lista de suspeito de envolvimento com a máfia.

A oposição, no entanto, aparece com sete deputados na lista, sendo quatro do PSDB e três do PFL. O PMDB figura com cinco, sendo um deles o único senador da lista: Ney Suassuna. O PSB tem quatro, o PSC, dois, o PRB, dois e o PPS, um.

Tags:
Edições digital e impressa