O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria se reunido com o senador Demóstenes Torres (Democratas-GO) e lhe oferecido ingresso em um dos partidos da base aliada com a promessa de apoio a uma eventual candidatura ao governo de seu Estado em troca de uma mudança de posição do parlamentar sobre a CPMF. O Democratas, de oposição, manifesta-se contrário à manutenção do imposto, como pretende o governo que faz passar pelo Congresso Nacional uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) sobre o tema.
De acordo com O Estado de S.Paulo, o encontro teria acontecido há dez dias. "Não fechei a porta para o convite do presidente porque quero ter ao menos a certeza de que posso ser candidato, e o partido não me garante a legenda", disse Torres sobre a reunião com Lula de acordo com o registro do jornal. Ele teria admitido espaço para negociação de apoio ao governo em relação ao imposto do cheque.
Outro movimento do governo pela aprovação teria sido a filiação do senador César Borges (Democratas-BA) ao PR, partido da base. "O que me move não é o adesismo, é a questão de espaço local", explicou ao Estado.
O Senado é o lugar onde o governo deve enfrentar mais resistência em relação à votação da CPMF. Quarta-feira, depois de 13 horas de debates e votações, os deputados aprovaram, por 338 votos a 117 e 2 abstenções, o substitutivo da comissão especial às propostas sobre a CPMF. Os parlamentares ainda precisam aprovar os destaques e as emendas. Antes de seguir para o Senado, a proposta precisa passar por mais um turno na Câmara.