CPIs tentam avançar nas mais variadas direções
Embora tenham rejeitado as críticas de que as apurações começam a não surtir mais efeitos, devido à amplificação dos objetivos investigados, deputados e senadores intensificaram nesta quarta-feira as tentativas de concluir os relatórios destinados a identificar e punir possíveis culpados por mensalões, jogos ilegais, evasão de divisas, formação de quadrilhas e outros crimes previstos nas atividades denunciadas nos últimos meses. Apelidada de CPI do Fim do Mundo, devido à magnitude das metas que pretende atingir no campo das investigações, a Comissão Parlamentar de Inquérito dos Bingos reuniu-se nesta quarta-feira, para fazer uma acareação com cinco pessoas: Waldomiro Diniz, Carlos Augusto de Almeida Ramos, Marcelo José Rovai, Rogério Tadeu Buratti e Enrico Giannelli. Waldomiro Diniz, ex-assessor de José Dirceu quando este era ministro da Casa Civil, foi flagrado em vídeo pedindo propina para o empresário de jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
O advogado Rogério Buratti foi secretário de governo de Ribeirão Preto (SP) na gestão de Antonio Palocci, atual ministro da Fazenda.Marcelo Rovai é diretor da multinacional Gtech, que fechou contratos com a Caixa Econômica Federal (CEF), e Enrico Gianelli é ex-advogado da Gtech. Todos os cinco são acusados de participar de supostas negociações para a renovação do contrato no valor de R$ 650 milhões entre a Gtech e a CEF, para o gerenciamento do sistema de loterias federais. A renovação do contrato ocorreu em 2003 e teria trazido prejuízos para a CEF. Buratti também é acusado de cobrar propina de R$ 6 milhões da Gtech, como garantia de assinatura do contrato da empresa com a CEF. E Gianelli é acusado de ser intermediário nas negociações desse contrato para facilitar a transação com a CEF.
Na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, presidida pelo senador Delcídio do Amaral, os parlamentares decidiram adiar o depoimento do presidente da seguradora Interbrazil, André Marques da Silva, que admitiu ter contribuído com dinheiro para o caixa dois do PT de Goiás. Silva não compareceu à sessão, nem foi localizado pelos parlamentares. O empresário alegou problemas de saúde para não comparecer, mas não apresentou atestado médico. Os parlamentares então determinaram que fosse expedido um mandado de condução coercitiva para que ele seja ouvido pela sub-relatoria do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB). A Interbrazil está sendo investigada pela Polícia Federal devido a denúncias segundo as quais obteve contratos bilionários na área de seguros com empresas estatais do setor elétrico, graças a informações privilegiadas. A seguradora era uma empresa desconhecida no mercado. Depois que teria passado a ajudar o PT, financiando integrantes do partido em Goiás, ganhou contratos e fechou negócios de R$ 4,6 bilhões com empresas estatais.
Outro suspeito de operações fraudulentas que decidiu não comparecer a uma convocação dos deputados, na sub-relatoria da Movimentação Financeira, foi o doleiro Dário Messer. A audiência estava prevista para esta tarde, mas ele não foi localizado para confirmar a presença. Messer foi apontado pelo doleiro Toninho da Barcelona como sendo o doleiro do PT. Ainda na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, serão ouvidos os depoimentos do diretor regional dos Correios em São Paulo, Marco Antônio Vieira da Silva, e da sócia da agência franqueada dos Correios Shopping Tamboré Juliana Azeredo Duarte.
Mais acareações
A CPMI da Compra de Votos, também chamada de CPMI do Mensalão, aprovou nesta quarta-feira a acareação entre o empresário Marcos Valério, acusado de ser o operador do suposto esquema de pagamento de "mensalão", e seis pessoas que seriam ligadas ao esquema. São eles o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto; o assessor da liderança do PP João Cláudio Genu; o diretor financeiro do Ministério dos Transportes na ges