O tempo urge para as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) que investigam a onda de denúncias contra integrantes do parlamento e do governo. A CPI que investiga as casas de bingo no país e a relação delas com a lavagem de dinheiro e o crime organizado reuniu-se na manhã desta terça-feira, no Senado. Em pauta, a discussão e votação de requerimentos. Após o encerramento do encontro, os membros da CPI ouviram o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP). Ele é advogado e acompanhou as investigações sobre o assassinato do então prefeito de Santo André (SP) Celso Daniel. Também nesta terça, a comissão tomou o depoimento de Hélcio Cambraia Júnior, apontado como beneficiário de recursos da MM Consultoria sempre que a empresa (MM) recebia pagamentos da Gtech.
Enquanto isso, os membros da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Compra de Votos ouviram o ex-presidente da Casa da Moeda Manoel Severino dos Santos, também no Senado. Apontado em lista do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza como beneficiário de recursos sacados entre agosto de 2003 e julho de 2004 no valor total de R$ 2,67 milhões, Severino também foi responsável por parte do controle financeiro da campanha nacional do PT no Estado do Rio em 2002. Ele pediu demissão em 3 de agosto deste ano e negou ter sacado recursos das contas de Marcos Valério ou de suas empresas. Valério é o empresário mineiro apontado como um dos supostos operadores do esquema de compra de votos da base aliada.
Na Corregedoria da Câmara, foi a vez do deputado José Janene (PP-PR) prestar esclarecimentos aos integrantes da Comissão de Sindicância, também nesta terça-feira, na sala de reuniões do Espaço Cultural. Ele é o penúltimo parlamentar a se defender das acusações de que seria um dos principais beneficiários de recursos do empresário Marcos Valério de Souza. O último a depor, ainda nesta semana, é o deputado José Borba (PMDB/PR). É que os dois só foram notificados pela Corregedoria na semana passada. Janene é um dos 18 parlamentares citados na lista conjunta das comissões parlamentares mistas de inquérito dos Correios e da Compra de Votos.
Estas audiências, segundo o presidente do Senado, Renan Calheiros, precisam acontecer com mais eficácia. Ele criticou o trabalho das três Comissões Parlamentares de Inquérito e reclamou que as CPIs estão "patinando". Nesta terça ele vai discutir hoje com presidentes e relatores a necessidade de se prorrogar ou não seu prazo de funcionamento.
- Se tiver de prorrogar, não há problema, mas desde que seja para investigar. As CPIs precisam entender que elas têm de dar as respostas que a sociedade está cobrando. Qual a origem desses recursos? Se a prorrogação for apenas para procrastinar e delongar, sou contra - afirmou o senador.