Rio de Janeiro, 20 de Março de 2026

CPIs colaboram para aumento na percepção do propinoduto

As comissões parlamentares de inquérito (CPIs) instaladas no Congresso Nacional para investigar denúncias de corrupção envolvendo parlamentares, partidos políticos e autoridades do governo federal contribuíram para que o Brasil fosse classificado em 70º lugar no relatório anual da Anistia Internacional. (Leia Mais)

Terça, 07 de Novembro de 2006 às 10:26, por: CdB

As comissões parlamentares de inquérito (CPIs) instaladas no Congresso Nacional para investigar denúncias de corrupção envolvendo parlamentares, partidos políticos e autoridades do governo federal contribuíram para que o Brasil fosse classificado em 70º lugar no relatório anual da Anistia Internacional sobre o Índice de Percepção da Corrupção avaliado em vários países.

A avaliação é de Flávio Testa, cientista político e professor da Universidade de Brasilia (UnB). Essas investigações, acrescentou, atingiram muito mais a imagem do Parlamento que a do governo federal. Para o professor, o sistema presidencialista é o fator principal no desgaste da imagem dos parlamentares e da instituição perante a sociedade brasileira e a própria comunidade internacional.

- Hoje o parlamento está muito submisso às determinações do Executivo, principalmente no que diz respeito às medidas provisórias, execução e aprovação do Orçamento e, o mais importante, a participação de políticos em diversas áreas (cargos) do Executivo - afirmou.

Segundo Testa, esses cargos são negociados por meio de "um jogo muito complexo de engenharia política" e que acaba por comprometer o próprio sistema de governo.

- Este sistema de presidencialismo com base em coalizão já está chegando a um esgotamento. É necessário haver uma reformulação nesta lógica - disse.

Na opinião do professor, se o Brasil estivesse submetido a um sistema parlamentarista de governo, somente a crise que envolveu parlamentares, partidos e autoridades do próprio governo numa suposta compra de apoio político, o "mensalão", o gabinete teria caído e outra eleição seria convocada.

- Se fosse um sistema parlamentarista, o Brasil teria muito mais condições de preservar o Parlamento, de fazê-lo funcionar de modo um pouco mais independente - acredita.

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