As comissões parlamentares de inquérito (CPIs) instaladas no Congresso Nacional para investigar denúncias de corrupção envolvendo parlamentares, partidos políticos e autoridades do governo federal contribuíram para que o Brasil fosse classificado em 70º lugar no relatório anual da Anistia Internacional sobre o Índice de Percepção da Corrupção avaliado em vários países.
A avaliação é de Flávio Testa, cientista político e professor da Universidade de Brasilia (UnB). Essas investigações, acrescentou, atingiram muito mais a imagem do Parlamento que a do governo federal. Para o professor, o sistema presidencialista é o fator principal no desgaste da imagem dos parlamentares e da instituição perante a sociedade brasileira e a própria comunidade internacional.
- Hoje o parlamento está muito submisso às determinações do Executivo, principalmente no que diz respeito às medidas provisórias, execução e aprovação do Orçamento e, o mais importante, a participação de políticos em diversas áreas (cargos) do Executivo - afirmou.
Segundo Testa, esses cargos são negociados por meio de "um jogo muito complexo de engenharia política" e que acaba por comprometer o próprio sistema de governo.
- Este sistema de presidencialismo com base em coalizão já está chegando a um esgotamento. É necessário haver uma reformulação nesta lógica - disse.
Na opinião do professor, se o Brasil estivesse submetido a um sistema parlamentarista de governo, somente a crise que envolveu parlamentares, partidos e autoridades do próprio governo numa suposta compra de apoio político, o "mensalão", o gabinete teria caído e outra eleição seria convocada.
- Se fosse um sistema parlamentarista, o Brasil teria muito mais condições de preservar o Parlamento, de fazê-lo funcionar de modo um pouco mais independente - acredita.