A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas Clandestinas terá duas reuniões na próxima semana para votar requerimentos que pedem a presença de acusados de crimes financeiros e de desvio de verbas públicas que foram presos nesta semana pela Operação Satiagraha, da Polícia Federal. Entre eles, o que sugere a convocação do empresário e investidor financeiro Naji Robert Nahas para prestar esclarecimentos sobre escutas ilegais relacionadas a suas atividades empresariais ou de que tenha conhecimento.
Também será votado outro requerimento do deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) que solicita a convocação do banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity, para prestar esclarecimentos sobre escutas que teria promovido por meio da empresa Kroll Associates do Brasil.
Nexo causal
Dantas deve ser indiciado pelos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de quadrilha. Existe a suspeita de que Daniel Dantas também tenha contratado a empresa Kroll para fazer grampos ilegais. O presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), acredita que a comissão deve aprovar o requerimento de convocação de Daniel Dantas.
- Pelas notícias de jornal, que dão conta da possibilidade de a Kroll ter feito grampos telefônicos a pedidos de Daniel Dantas, existe um nexo causal. Por isso acredito que esse requerimento será aprovado.
Há suspeitas de que os grampos a mando de Daniel Dantas tenham sido feitos em meio à disputa com a Telecom Itália pelo controle da Brasil Telecom. O banqueiro foi solto depois de conseguir um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal, junto com outros dez acusados de envolvimento no esquema.
O líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), criticou a decisão da justiça e disse esperar que o banqueiro não fuja do País.
- Se a lei brasileira determina o habeas corpus, nós inclusive temos que repensar a lei brasileira, porque pode ocorrer um fenômeno semelhante ao que ocorreu com Salvatore Cacciola. Ele recebeu um habeas corpus, fugiu do Brasil, e ficou quase oito anos foragido e não pagou pelos crimes que cometeu. Eu espero que desta vez isso não ocorra.
Operação Chacal
Também está na pauta o requerimento de Fruet que solicita à Polícia Federal documentos da denominada Operação Chacal, em especial os relacionados com as diligências efetuadas na sede da Kroll Associates do Brasil. A operação, realizada em outubro de 2004, investigava a suposta espionagem da Kroll contra a Telecom Italia. Na época, os agentes da PF fizeram busca na sede da Kroll, em São Paulo, e prenderam cinco funcionários da companhia. Foram apreendidos três equipamentos eletrônicos, que, segundo os policiais, serviriam para realizar escutas telefônicas. O juiz que acompanhava o caso, Luiz Renato Pacheco, da 5a Vara Federal, determinou que se fizesse uma perícia nos equipamentos. A Kroll alegava que os mesmos não faziam escuta - ao contrário, serviam só para realizar varreduras, evitando grampos. O resultado foi apontado num laudo do Instituto Nacional de Criminalística, assinado pelo perito Octavio Brandão, da própria Polícia Federal, no dia 17 de dezembro, com a conclusão de que a Kroll tinha razão. Os equipamentos previnem grampos e, por isso, foram devolvidos à empresa.
A CPI também deve votar requerimento do deputado Luiz Couto (PT-PB) que convida para prestar depoimento o delegado de Polícia Federal Romero Menezes, que participou da Operação Chacal.
As reuniões serão na terça e na quarta-feira, às 14h30.