A vereadora Teresa Bergher (DEM) anunciou que vai convocar novamente Júlio César Guimarães Sobreira, coordenador do júri do desfile de escolas de samba do Grupo Especial, que nesta terça-feira faltou à audiência pública da CPI - Comissão Parlamentar de Inquérito - da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, que apura possíveis fraudes no resultado de 2007, denunciadas pela Polícia Federal.
Detido na Operação Hurricane I e acusado de pagar propinas na máfia dos caça-níqueis, Sobreira mandou um advogado posteriormente ao gabinete da presidente da CPI para dizer que comparecerá em outra data a ser marcada.
— Ele me disse que seu cliente, por morar agora em Petrópolis, só soube do convite para depor na CPI em cima da hora. Mas que está à disposição dos vereadores para depor e responder a todas as perguntas que forem feitas na ocasião — disse Teresa Bergher, que se reunirá com os demais componentes da comissão para deliberar as datas em que serão ouvidos não só Júlio César Guimarães Sobreira, como também o tio, Aílton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, e Aniz Abraão David, o Anísio.
Júlio Sobreira não é empregado da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba), organizadora do desfile do Grupo Especial, mas coordenava o júri, amparado no parentesco com o Capitão Guimarães, ex-presidente da Liesa, que chegou a ser preso pela PF, juntamente, com Anísio, presidente de honra da Beija-Flor de Nilópolis e ex-presidente do Conselho Deliberativo da Liesa. Todos, porém, foram liberados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) e respondem em liberdade ao processo da máfia dos caça-níqueis.
Jacqueline da Conceição Silva, secretária de Júlio, depôs e confirmou não ser funcionária da Liesa. Alegou ter tido contato mínimo com os jurados e disse prestar serviços, como voluntária, para Júlio César, no escritório de advocacia dele, no carnaval.
Segundo informa o relatório da Polícia Federal encaminhado à CPI, Jacqueline Silva foi citada em duas conversas telefônicas com seu ex-chefe, gravadas em fevereiro de 2007. Em uma, ele pede que ela faça um kit para um novo julgador.
Em outra, Jacqueline informa a Júlio que “está mandando o negócio pra pretinha”. Este diz que “o rapaz aceitou ser jurado” e Jacqueline diz que “o rapaz faz a posição” e mandou dizer que “hoje é pouco, mas que Júlio sabe por que”. Questionada, Jacqueline disse não se lembrar dos dois telefonemas.