Rio de Janeiro, 04 de Outubro de 2026

CPI tende a pedir indiciação de Protógenes e Daniel Dantas

Os depoimentos tomados de integrantes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) pela Comissão Parlamentar de Inquérito das Escutas Telefônicas Clandestinas reforçam a tese do pedido de indiciamento do ex-diretor da Abin, Paulo Lacerda, do vice-diretor Milton Campana, do delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz e do banqueiro Daniel Dantas. (Leia Mais)

Quarta, 25 de Março de 2009 às 09:08, por: CdB

Os depoimentos tomados de integrantes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) pela Comissão Parlamentar de Inquérito das Escutas Telefônicas Clandestinas, a CPI do Grampo,  reforçam a tese do pedido de indiciamento do ex-diretor da Abin, Paulo Lacerda, do vice-diretor Milton Campana, do delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz e do banqueiro Daniel Dantas. A avaliação é do presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), em entrevista a jornalistas, nesta quarta-feira.

– Esses depoimentos só reforçam a minha linha de indiciamentos. No meu entender, devem ser indiciados o delegado Paulo Lacerda, por ter faltado a verdade com a CPI; o sr. Milton Campana, por ter faltado com a verdade na CPI; o delegado Protógenes Queiroz, por ter faltado com a verdade e o sr. Daniel Dantas também deve ser indiciado pela prática de interceptação telefônica ilegal, conforme declaração prestada a essa CPI – disse.

Segundo Marcelo Itagiba, para reforçar os indiciamentos a CPI depende unicamente dos autos que se encontram em poder do juiz Fausto De Sactis, “que se recusa a encaminhar os autos à CPI”. Itagiba afirmou ainda que os depoimentos de hoje demonstraram que a operação da Abin foi formal com conhecimento da chefia do órgão.

– Acho que está mais do que caracterizada uma participação incorreta, indevida, não desejada pela Polícia Federal da Abin, que se imiscuiu em assuntos policiais, quando, na verdade, sua atividade é outra – afirmou o presidente da CPI.

O próprio relator da CPI, deputado Nelson Pelegrino (PT-BA), admitiu que está havendo contradições nos depoimentos prestados à comissão e citou o caso do depoimento prestado hoje pelo oficial de inteligência da Abin, Márcio Seltz.

– Há contradições. Isso ficou claro aqui no depoimento [de Márcio Seltz]  entre a sua versão e a do delegado Paulo Lacerda, principalmente o documento encaminhado por Lacerda à CPI. [Ele] tem partes coincidentes, mas tem pontos que são colidentes. Vamos ver se essa colisão é relevante para os trabalhos da CPI – disse Pelegrino.

A CPI, na terça-feira, tomou os depoimentos dos oficiais de inteligência da Abin, Lúcio Fábio de Godoy e Márcio Seltz, e do agente de inteligência do órgão, Jerônimo Jorge Araújo. Amanhã (25), a CPI volta a se reunir às 15h para ouvir o 3º sargento da Polícia Militar do Distrito Federal Jairo Martins de Souza.

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