O relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Compra de Votos, Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG), destacou a primeira diferença de valores com relação ao valor pago por Marcos Valério de Souza ao PL.
- A soma dos quantitativos entregues e dos recebidos registram uma diferença de milhões de reais. Isso é necessário para que se classifique a conduta dos envolvidos. Se a diferença continuar, há mentira dupla, ocultação de provas e perjúrio.
Marcos Valério afirma ter repassado ao PL R$ 10, 837 milhões. Já o presidente do partido, ex-deputado Valdemar Costa Neto, confirma o recebimento de R$ 6,5 milhões.
- Dei esse valor e o Valdemar Costa Neto representava o PL - disse Valério. Ele afirmou que também entregou os valores ao tesoureiro do partido Jacinto Lamas e a Antonio Lamas.
Segundo Costa Neto, os R$ 6,5 milhões foram recebidos para quitar dívidas da campanha presidencial em 2002:
- Tivemos que fazer um investimento muito grande em São Paulo porque Lula ganhou do Serra por 100 mil votos apenas no segundo turno.
A ex-mulher de Costa Neto, Márcia Cristina Caldeira, acompanha os depoimentos. Ela afirma ter documentos e que poderá entregá-los a algum parlamentar se Costa Neto mentir.
Foram ouvidos pela comissão o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, Marcos Valério, Valdemar Costa Neto, e a ex-funcionária da SMP&B (agência de publicidade de Marcos Valério) Simone Vasconcellos. Também participaram da acareação o assessor do PP João Cláudio de Carvalho Genu; o tesoureiro do PTB, Emerson Palmieri, e o ex-presidente da Casa da Moeda Manoel Severino dos Santos. Todos estariam envolvidos, de alguma forma, com o esquema de repasse de recursos de Marcos Valério.