Rio de Janeiro, 12 de Maio de 2026

CPI quebra sigilo de fundos de pensão

A CPI dos Correios aprovou, na manhã desta quarta-feira, as quebras de sigilo de três importantes fundos de pensão: o Petros (dos funcionários da Petrobras), a Geap e Funcef (dos funcionários da Caixa Econômica Federal). Estas intituições investiram recursos no BMG e Banco Rural, envolvidos com o publicitário Marcos Valério. (Leia Mais)

Quarta, 24 de Agosto de 2005 às 09:05, por: CdB

A CPI dos Correios aprovou, na manhã desta quarta-feira, as quebras de sigilo de três importantes fundos de pensão: o Petros (dos funcionários da Petrobras), a Geap e Funcef (dos funcionários da Caixa Econômica Federal). Estas intituições investiram recursos no BMG e Banco Rural, envolvidos com o publicitário Marcos Valério. Nesta quinta,  mais oito fundos de pensão terão os sigilos bancário e telefônico quebrados, entre eles o Previ, dos funcionários do Banco do Brasil. Os deputados da comissão também aprovaram a transferência das informações dos computadores do doleiro Toninho da Barcelona, atualmente em poder da polícia paulista. Foram convocados a depor o presidente do BMG, Ricardo Annes Guimarães, e o ex-presidente do INSS Carlos Bezerra.

Temas polêmicos como a convocação do doleiro Antonio Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona, e do lobista Nilton Antônio Monteiro, foram adiados, após a tumultuada sessão desta terça-feira, marcada por disputas partidárias. A convocação do presidente do Sebrae, Paulo Okamoto, também foi adiada, sem data certa para acontecer. A oposição pretende ouvir Okamoto na busca de informações sobre o pagamento de um empréstimo de R$ 29 mil ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com recursos do fundo partidário petista.

Para a bancada de apoio ao governo, é mais importante do que convocar Okamoto ouvir Nilton Monteiro, envolvido na transferência de recursos para o ex-governador de Minas Gerais e atual presidente do PSDB, senador Eduardo Azeredo. Ele teria dados ainda inéditos sobre operações financeiras irregulares praticadas na campanha de Azeredo ao governo de Minas, segundo denúncia do publicitário Marcos Valério, em depoimento no plenário da CPI dos Correios. O lobista também é acusado de estelionato, corrupção ativa e roubo de documentos.

Está agendado para esta quinta-feira, ainda pela manhã, a discussão sobre a lista de depoimentos para as próximas semanas. A oposição prefere marcar a audiência de dirigentes da corretora Bônus Bonval e da Garanhuns. Ambas operariam com recursos do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza. Na semana seguinte, o depoimento de Toninho da Barcelona é aguardado com expectativa por integrantes da oposição, que também quer a presença do chefe do Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência, Luiz Gushiken, e do empresário Daniel Dantas. Os deputados pretendem saber de Gushiken mais detalhes sobre os contratos de publicidade do governo com estatais. Dantas, dono do banco Opportunity, é apontado como uma dos principais financiadores das contas de Valério.

O depoimento do ex-deputado José Dirceu ainda está em discussão no âmbito da CPI dos Correios. Ele era o responsável, quando ocupou a chefiou da Casa Civil, pela distribuição de cargos de empresas estatais entre partidários da base aliada.

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