Engavetada pelo Senado, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a remessa de US$ 30 bilhões ao exterior pelo Banco do Estado do Paraná (Banestado) será instalada nest quarta-feira no Congresso Nacional. A criação da CPI exigiu uma longa negociação entre os líderes do governo e da oposição e acabou por resultar numa investigação parlamentar que vai além das remessas do Banestado, mas de toda a evasão de divisas no país por meio das contas CC5. A discussão sobre qual seria o tipo de CPI levou todo o dia. Os líderes dos partidos começaram os encontros pela manhã, no gabinete do presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT/SP), e durante toda a tarde saíam e retornavam sem que se batesse o martelo sobre a questão. O grande impasse, segundo os próprios líderes, nem era sobre qual seria o modelo de comissão, mas sobre qual partido no Senado ocuparia a presidência da CPI, uma vez que a relatoria foi dada ao PT, por ser o maior partido da Câmara. Apesar da resistência do PFL, o PSDB ficou com o cargo. Quando todos acreditavam que a decisão estava acordada, o líder do PSDB na Câmara, Jutahy Junior, voltou à sala de João Paulo com um novo problema para ser discutido pelos líderes: o objeto de estudo da CPI Mista era diferente do proposto pela CPI que estava para ser instalada na Câmara. Segundo o texto, as investigações seriam restritas às remessas ilegais do Banestado e não mais incluam a evasão fiscal. Somente depois de resolvida a questão é que os tucanos fecharam com os demais partidos. Para o líder do PSDB no Senado, senador Arthur Virgílio (AM), a CPI é fundamental para saber qual o volume real de remessas ilegais ao exterior e até onde os números divulgados podem ser "mais um exagero do procurador Luiz Francisco de Souza". A instalação da CPI põe fim à uma polêmica que vinha ganhando força desde que o Senado engavetou a proposta de investigação: a de que o governo vinha trabalhando para impedir sua realização. O líder do governo no Senado, Aloízio Mercadante (PT/SP), foi um dos primeiros a sair em defesa do Executivo. - Tínhamos a avaliação de que a força-tarefa vinha conduzindo com rigor a apuração. Agora, a CPI terá a faculdade de quebrar os sigilos fiscal e bancário dos investigados e vai contribuir para acelerar a investigação, ajudar a dirimir conflitos com as autoridades norte-americanas e permitir que se chegue ao fim da investigação e se apure tudo como vinha sendo feito pelo governo - disse Mercadante. O líder do PT na Câmara, Nelson Pellegrino (BA), engrossou o coro de Mercadante. - Tanto não há posição contrária do governo para instalação da CPI que ela vai ser instalada - resumiu. O líder do PFL no Senado, José Agripino Maia (RN), também saiu em defesa da CPI Mista. Ele considerou que uma vez instalada na Câmara, não haveria razão que impedisse a instalação de outra CPI no Senado para investigar as remessas. - A posição do PFL é, sem sombra de dúvida, a de esclarecer os fatos, uma vez que envolvem insinuações maldosas contra o presidente do partido, senador Jorge Bornhausen (SC) - disse Agripino. Ele garante que Bornhausen quer ser o primeiro a depor na CPI. Outro pefelista saiu em defesa das investigações. O líder do partido na Câmara, José Carlos Aleluia (BA), garantiu que não vai indicar nomes para fazer figuração na CPI. A CPI será composta por 16 senadores e 16 deputados. O prazo das investigações é de 90 dias, prorrogáveis por mais 90. Para acelerar a instalação da CPI, o presidente do Senado, José Sarney (AP), convocou para às 9 horas uma sessão extraordinária do Congresso Nacional. A instalação, no entanto, só será oficializada às 11 horas depois da leitura do requerimento da CPI.
CPI Mista do Banestado será instalada em sessão extraordinária do Congresso
Terça, 17 de Junho de 2003 às 17:51, por: CdB