Rio de Janeiro, 22 de Maio de 2026

CPI dos Correios vai investigar Fernando Henrique Cardoso

A reunião de quinta-feira, feita por senadores e deputados, para escolher o presidente e o relator da CPI dos Correios, instalada no mesmo dia, acabou sem um consenso no Congresso. Com isso, fica para a próxima terça-feira a escolha dos representantes que irão comandar as investigações da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). Os partidos da bancada governo decidiram que investigarão atos dos Correios desde 1995, ou seja, desde a gestão de Fernando Henrique Cardoso. (Leia Mais)

Sexta, 10 de Junho de 2005 às 06:09, por: CdB

A reunião de quinta-feira, feita por senadores e deputados, para escolher o presidente e o relator da CPI dos Correios, instalada no mesmo dia, acabou sem um consenso no Congresso. Com isso, fica para a próxima terça-feira a escolha dos representantes que irão comandar as investigações da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). Caso também não haja um acordo, a base governista deve disputar no voto os cargos da comissão e pode manter sob seu controle absoluto as investigações.

Até lá, os líderes da oposição e do governo vão continuar buscando um consenso. Se não houver acordo, governo e oposição indicarão na terça-feira seus candidatos a presidente, que será escolhido pelo voto do plenário do Congresso. Depois, o presidente eleito escolhe o relator.

O governo insistiu em indicar o líder do PT no Senado, Delcídio Amaral (MS), para a presidência e o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) para a relatoria, mas a oposição manteve a indicação do senador Cesar Borges (PFL-BA) para relator. A oposição argumentou que o governo não pode ficar com a presidência, a relatoria e a maioria dos membros da CPI.

Os líderes do governo na Câmara Arlindo Chinaglia (PT-SP) e no Senado (PT-SP) tentaram negociar com o PFL a substituição de Borges por Edson Lobão (PFL-MA), senador ligado a José Sarney, e portanto de confiança do governo. O PFL, no entanto, não aceitou a sugestão do governo.

Sem acordo, o presidente em exercício do Senado, Jefferson Peres (PDT-AM), suspendeu a sessão por uma hora para que os partidos buscassem um acordo e alertou: 

- Se essa CPI desandar no nascedouro, vai ser péssimo para o Congresso Nacional.

Não foi a única divergência do dia. Após reunião do almoço, os partidos da bancada governo decidiram que investigarão atos dos Correios desde 1995, ou seja, desde a gestão de Fernando Henrique Cardoso.

- Temos dez anos para ser investigados com todo o rigor. É fundamental que a sociedade possa comparar os diversos períodos - disse o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (SP).

O líder do PSDB na Casa, Arthur Virgílio, retruco afirmando que a apuração tem que começar pelo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A presença de parlamentares governistas nos dois principais cargos da CPI quebrará uma tradição do Congresso de garantir aos dois lados a participação no controle dos trabalhos de investigação.

- A CPI não vai terminar em pizza desse jeito, ela começa em pizza - afirmou José Jorge.

Nesse caso, Delcídio Amaral (MS), será levado a disputar a presidência da comissão. Em sendo vitorioso, Amaral deverá indicar o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) para a relatoria.

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