Rio de Janeiro, 05 de Maio de 2026

CPI dos Correios tenta identificar origem do dinheiro de Valério

Domingo, 02 de Outubro de 2005 às 18:51, por: CdB

Os parlamentares da CPI dos Correios vão, a partir de agora, concentrar as investigações na busca da origem dos recursos que abasteceram o esquema coordenado pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza. Nesta quarta-feira, quem deverá depor na CPI é o doleiro Dario Messer - acusado por outro doleiro, Antônio Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona, de ser o doleiro do PT e de ter negociado cerca de R$ 7 milhões para o partido em 2003. Na avaliação de membros da CPI, o depoimento de Messer pode ajudar identificar datas e volumes de movimentação de dinheiro para o exterior, pois ele seria o responsável pelas remessas.

A CPI já reuniu inúmeras evidências contra a versão de que Valério financiou o PT a partir de empréstimos tomados nos bancos BMG e Rural. A avaliação é de que esses empréstimos jamais seriam pagos pelo partido e que Valério possivelmente os quitaria com recursos provenientes de empresas privadas e estatais e, até, com dinheiro que estava irregularmente no exterior.

As informações de Messer poderão ser o ponto de partida para o mapeamento das ramificações do "valerioduto" no exterior. Na avaliação da CPI, Messer poderá dizer quando fez remessas, de quanto foram e para onde. Com base nessas informações, pode-se puxar o fio do novelo que levaria à origem do dinheiro. Além de Messer, a CPI pretende ouvir ainda nesta semana mais dois doleiros: Haroldo Bicalho e Jader Kalid Antonio.

A cúpula da CPI já definiu uma agenda de depoimentos para esta semana, mas as datas ainda precisar ser aprovadas numa reunião marcada para amanhã. Entre outros depoimentos previstos, figuram os de ex-diretores e franqueados dos Correios, dos ex-presidentes do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) Lídio Duarte e Henrique Brandão e do procurador da Fazenda Nacional Glênio Guedes.

Ressaltando que ainda não há comprovação definitiva sobre as origens do dinheiro do esquema de Marcos Valério e que o que existe são somente linhas de investigação, o deputado Gustavo Fruet (PMDN-PR), além do dinheiro no exterior, identifica outras potenciais fontes. Uma delas seriam aditamentos de contratos das empresas de Valério com as estatais Eletronorte, Banco do Brasil e Correios.

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