Rio de Janeiro, 06 de Novembro de 2026

CPI dos cartões começa a ouvir depoimentos nesta semana

Presidente da CPI das ONGs ameaça deixar o cargo por dificuldade em aprovar quebra de sigilo bancário. Os depoimentos estão marcados para a próxima terça-feira. (Leia Mais)

Segunda, 17 de Março de 2008 às 08:03, por: CdB

Os primeiros investigados da CPI dos cartões começaam a ser ouvidos nesta semana. Representantes do Tribunal de Contas da União (TCU) e o ex-ministro do Planejamento no governo Fernando Henrique Cardoso, Paulo Paiva, serão os primeiros a falar. Os depoimentos estão marcados para a próxima terça-feira.

Paulo Paiva chefiava a pasta no governo Fernando Henrique Cardoso, quando o cartão corporativo foi adotado no governo federal.

Na próxima quarta-feira, serão ouvidos os ministro Paulo Bernardo, do Planejamento, e Jorge Hage, da Controladoria-Geral da União (CGU). O objetivo é esclarecer os parlamentares da comissão sobre o uso e as investigações quanto aos cartões corporativos.

A previsão é de que os requerimentos que pedem acesso a dados sigilosos de cartão corporativo da Presidência da República só sejam votados no dia 26.

De autoria dos deputados democratas Índio da Costa (RJ) e Vic Pires Franco (PA), o requerimento pede informações à Casa Civil sobre os gastos com cartão corporativo do governo federal desde que começou a ser usado em 2002, o nome do titular do cartão, o limite mensal, o detalhamento dos gastos e cópia das notas fiscais das compras.

Risco de esvaziamento

A CPI dos Cartões corre o risco de ser esvaziada. Os partidos de oposição ameaçam abandonar os trabalhos, já que a base aliada disse que irá  rejeitar qualquer requerimento com a quebra de sigilo dos gastos com cartões corporativos da Presidência.

- Não podemos legitimar a farsa. Se não for quebrado o sigilo desses gastos, a CPI não se justifica - argumentou ontem o senador Álvaro Dias (PSDB-PR).

- A CPI não terá porquê existir, à medida em que forem derrotados todos os requerimentos que pedem a transferência de sigilo com os gastos das contas secretas - emendou o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

Para a base aliada, a ameaça da oposição é mais uma manobra para para interromper os trabalhos e, dessa forma, acabar com a comissão. Os governistas argumentam que a oposição não quer investigar as contas tipo B - em nome de um funcionário que emite cheques e recebe os depósitos.

CPI das ONGs

Seguindo o mesmo caminho da comissão de inquérito que a originou, a CPI das ONGs também parece se enfraquecer. Com a base aliada dificultando a aprovação do requerimento de quebra do sigilo dos investigados, o presidente da CPI, senador Raimundo Colombo (DEM-SC), avisou, nesta segunda-feira, que se não conseguir ao menos quebrar o sigilo de alguns investigados deverá abandonar o cargo.

A dificuldade em avançar na apuração é atribuída aos governistas, maioria na CPI.

- Estamos de mãos atadas, pois não conseguimos avançar sem a quebra de sigilo - reconhece o presidente da CPI

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