Os primeiros investigados da CPI dos cartões começaam a ser ouvidos nesta semana. Representantes do Tribunal de Contas da União (TCU) e o ex-ministro do Planejamento no governo Fernando Henrique Cardoso, Paulo Paiva, serão os primeiros a falar. Os depoimentos estão marcados para a próxima terça-feira.
Paulo Paiva chefiava a pasta no governo Fernando Henrique Cardoso, quando o cartão corporativo foi adotado no governo federal.
Na próxima quarta-feira, serão ouvidos os ministro Paulo Bernardo, do Planejamento, e Jorge Hage, da Controladoria-Geral da União (CGU). O objetivo é esclarecer os parlamentares da comissão sobre o uso e as investigações quanto aos cartões corporativos.
A previsão é de que os requerimentos que pedem acesso a dados sigilosos de cartão corporativo da Presidência da República só sejam votados no dia 26.
De autoria dos deputados democratas Índio da Costa (RJ) e Vic Pires Franco (PA), o requerimento pede informações à Casa Civil sobre os gastos com cartão corporativo do governo federal desde que começou a ser usado em 2002, o nome do titular do cartão, o limite mensal, o detalhamento dos gastos e cópia das notas fiscais das compras.
Risco de esvaziamento
A CPI dos Cartões corre o risco de ser esvaziada. Os partidos de oposição ameaçam abandonar os trabalhos, já que a base aliada disse que irá rejeitar qualquer requerimento com a quebra de sigilo dos gastos com cartões corporativos da Presidência.
- Não podemos legitimar a farsa. Se não for quebrado o sigilo desses gastos, a CPI não se justifica - argumentou ontem o senador Álvaro Dias (PSDB-PR).
- A CPI não terá porquê existir, à medida em que forem derrotados todos os requerimentos que pedem a transferência de sigilo com os gastos das contas secretas - emendou o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).
Para a base aliada, a ameaça da oposição é mais uma manobra para para interromper os trabalhos e, dessa forma, acabar com a comissão. Os governistas argumentam que a oposição não quer investigar as contas tipo B - em nome de um funcionário que emite cheques e recebe os depósitos.
CPI das ONGs
Seguindo o mesmo caminho da comissão de inquérito que a originou, a CPI das ONGs também parece se enfraquecer. Com a base aliada dificultando a aprovação do requerimento de quebra do sigilo dos investigados, o presidente da CPI, senador Raimundo Colombo (DEM-SC), avisou, nesta segunda-feira, que se não conseguir ao menos quebrar o sigilo de alguns investigados deverá abandonar o cargo.
A dificuldade em avançar na apuração é atribuída aos governistas, maioria na CPI.
- Estamos de mãos atadas, pois não conseguimos avançar sem a quebra de sigilo - reconhece o presidente da CPI