Rio de Janeiro, 19 de Abril de 2026

CPI dos Bingos será mais rigorosa com Palocci, avisa relator

A vida do ex-ministro Antonio Palocci tende a se complicar, ainda mais, na CPI dos Bingos. O relator da comissão, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), disse nesta terça-feira, a jornalistas, que o tratamento dispensado a Palocci no relatório final será mais rigoroso, agora que ele deixou o governo. (Leia Mais)

Terça, 28 de Março de 2006 às 09:48, por: CdB

A vida do ex-ministro Antonio Palocci tende a se complicar, ainda mais, na CPI dos Bingos. O relator da comissão, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), disse nesta terça-feira, a jornalistas, que o tratamento dispensado a Palocci no relatório final será mais rigoroso, agora que ele deixou o governo. Palocci deverá ser citado no relatório final da CPI, devido às denúncias de corrupção que envolvem sua gestão na prefeitura de Ribeirão Preto. Como ministro, o relator dizia não haver indícios de irregularidades, mas a avaliação mudou com o desenrolar das investigações sobre a quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa.

- Houve mentira por parte do ministro, houve desmentido, conluio com a Caixa para quebrar o sigilo do caseiro. Houve de tudo - afirmou o relator da comissão. O ex-presidente da Caixa Jorge Mattoso confirmou à Polícia Federal, nesta segunda-feira, que entregou a Palocci uma cópia do extrato do caseiro. Esse fato pode indicar a participação de Palocci na violação do sigilo bancário de Francenildo.

Alves não adianta em que termos o ministro será tratado no relatório final. Mas ele afirmou que levará em consideração o possível indiciamento de Palocci pela Polícia Civil de São Paulo.

- Se a Polícia Civil encaminha o indiciamento ao Ministério Público, é sinal de que o ministro terá um tratamento ainda mais rigoroso - afirmou o senador.

Por enquanto, porém, nem Garibaldi, nem o presidente da comissão, Efraim Morais (PFL-PB), defendem a reconvocação do ministro. Um segundo depoimento à CPI dos Bingos seria tomado próximo ao término das investigações.

- No momento eu não defendo a convocação pelas circunstâncias atuais. Com o passar do tempo, se for necessário outro esclarecimento, ele deve vir - afirmou Garibaldi Alves.

Do lado dos governistas, o líder do PMDB no Senado, Ney Suassuna (PMDB-PB), afirmou que a insistência na investigação do ministro é prejudicial ao país por supostamente atrapalhar a votação de projetos de interesse da população.

- Estamos hoje só discutindo se um porteiro [caseiro] é assim ou assado, se o motorista é assim ou assado, se o ministro deu uma escapulidela, se foi a uma casa encontrar fulano ou fulana. São coisas que não são significantes - disse.

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