Rio de Janeiro, 20 de Março de 2026

CPI do Tráfico ouve dono de loja na fronteira com o Paraguai

Terça, 07 de Novembro de 2006 às 19:13, por: CdB

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o tráfico de armas ouviu nesta terça-feira os depoimentos do empresário Alberto Dorneles Rodrigues e de seu funcionário, Amauri Carlos dos Santos. Eles estão detidos na Polícia Federal desde o dia 25 de agosto, sob a acusação de pertencerem a uma quadrilha que forneceria armas para traficantes do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Dorneles é proprietário da loja na cidade de Pedro Juan Caballero (fronteira do Paraguai com Mato Grosso do Sul) onde a polícia paraguaia apreendeu 250 armas no final de agosto. Pistolas, fuzis, silenciadores, centenas de caixas de munição e até uma metralhadora antiaérea estavam encaixotados e armazenados na caçamba de uma caminhonete estacionada no interior da loja. Apesar de Dorneles garantir tê-lo comprado de um conhecido, o veículo não estava no nome dele e a CPI investiga a possibilidade de ser roubado.

De acordo com o relator da CPI, deputado Paulo Pimenta (PT-SP), as investigações revelaram que as armas seriam enviadas para o Rio de Janeiro e, em maior escala, para São Paulo, "para a organização do PCC". Ele garantiu que as armas eram ilegais e que não tinham autorização do órgão de fiscalização paraguaio para serem comercializadas.

O advogado dos depoentes, Josephino Ujacow, defendeu que a prisão deles fere o princípio da territorialidade, porque não teriam praticado crime no Brasil.

- As armas estavam todas legalizadas. O Dorneles é um comerciante estabelecido no Paraguai, vendia as armas de acordo com a lei daquele país, com alvará e pagando impostos. A acusação de que eles teriam vendido armas para pessoas que as introduziram ilegalmente no Brasil não é verdadeira -, disse.

O deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) deixou a sede da Polícia Federal convencido da ligação de Dorneles com a venda de armas ilegais para o Brasil. Faria de Sá lamenta o pouco tempo que resta para a CPI concluir seus trabalhos.

- Agora que a comissão encontrou o fio-da-meada, nós estamos perto do período de encerramento da legislatura. A CPI só poderá prosseguir se os deputados que continuarão com mandatos quiserem dar continuidade -, disse.

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