A CPI do Tráfico de Órgãos da Assembléia Legislativa de Pernambuco reune-se nesta manhã para ouvir os israelenses Gedalya Tauber e Eliezer Ramon, além de José Cavalcante Nascimento Júnior, conhecido como Zinho, envolvidos no esquema de tráfico de órgãos no Estado. O deputado Raimundo Pimentel (PSDB/PE), presidente da CPI que investiga o caso, afirmou, antes de se reunir com os deputados, que a idéia é estabelecer a vinculação do sistema internacional do tráfico.
"Queremos saber como se dá essa rede internacional e obter mais informações sobre as tentativas de realizar cirurgias em Pernambuco e no Ceará", afirmou. Segundo o deputado, as negociações para realizar transplantes aqui no Nordeste vinham sendo conduzidas há seis meses, só que a legislação brasileira não permite este tipo de cirurgia.
Os dois israelenses estão presos no Centro de Triagem de Abreu e Lima e são acusados de chefiar a quadrilha que aliciava pessoas em Pernambuco para vender um dos rins na cidade de Durban, na África do Sul. José Cavalcante não foi indiciado no inquérito realizado pela Polícia Federal, mas foi apontado em outros depoimentos como aliciador da quadrilha.
A quadrilha internacional que traficava órgãos para a África do Sul foi presa no dia 2 de dezembro pela Polícia Federal. Das 11 pessoas envolvidas, nove são brasileiras e duas israelenses.
Esta foi a primeira vez que uma quadrilha de tráfico de órgãos foi presa no Estado. Segundo a Polícia Federal, que está há dez meses investigando o caso, o grupo oferecia dinheiro em troca de rins e fazia a operação de retirada do órgão na cidade de Durban, na África do Sul. Depois da operação, cada rim era vendido no mercado clandestino por até US$ 11 mil.