Rio de Janeiro, 12 de Agosto de 2026

CPI decide pedir prisão de ex-gerentes do Banestado

Quarta, 06 de Agosto de 2003 às 13:34, por: CdB

A CPI do Banestado, da Assembléia Legislativa do Paraná, decidiu pedir a prisão preventiva dos ex-gerentes da agência do banco em Nova York, durante o período de 1994 a 1998, Valdir Antonio Perin e Ercio de Paula dos Santos. Eles foram convocados para depor nesta quarta-feira, mas não compareceram.

O advogado deles, Alessandro Silvério, queria que o depoimento não fosse acompanhado por cinegrafistas e fotógrafos, o que foi negado pelo presidente da CPI, deputado Neivo Beraldin (PDT).

Os deputados pretendiam confrontar as informações fornecidas no dia anterior pelo ex-gerente de câmbio de uma das agências do Banestado em Curitiba, Eraldo Ferreira. Ele disse que abria, em Curitiba, contas correntes na agência norte-americana. Mas os valores eram repassados a doleiros no Brasil. Estes encarregavam-se de fazer transferência de suas contas particulares nos Estados Unidos.

Assim, os dólares ficavam no Brasil para serem vendidos pelos doleiros, enquanto a nova conta recebia valores sem pagamento de impostos. Os funcionários recebiam propinas. No início da sessão, o advogado pediu a preservação do direito de imagem de seus clientes.

— Nenhuma ação pública pode valer mais que a garantia individual do cidadão — justificou Silvério. Os deputados rebateram.

— Os depoentes foram funcionários públicos e gerenciavam dinheiro público — argumentou Beraldin. Enquanto o advogado saia, os membros da CPI aprovaram o pedido de prisão dos ex-gerentes. Logo depois Silvério retornou e disse que queria apenas a garantia dos direitos básicos. O presidente da CPI retrucou:

— Para quem cometeu crime lesa-pátria.

Foi o que bastou para começar o bate-boca.

— O senhor está antecipando a culpabilidade deles, o senhor é suspeito para presidir a Comissão Parlamentar de Inquérito — afirmou Silvério.

O advogado foi chamado de "malandro" pelo deputado e respondeu no mesmo tom. Beraldin chamou a segurança e pediu que Silvério fosse detido. Houve muitos empurrões, gritos, xingamentos e tapas. No fim, o advogado não foi preso, mas prometeu representar pela suspeição do deputado.

O deputado, por seu lado, vai estudar a possibilidade de pedir a cassação da carteira da Ordem dos Advogados de Silvério.

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