A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pirataria inicia nesta terça-feira a discussão do relatório final do deputado Josias Quintal (PMDB-RJ). A previsão é de que o processo de votação se estenda até esta quarta-feira.
A CPI, que investiga a falsificação de aparelhos eletroeletrônicos, cigarros e bebidas, terá seu prazo encerrado nesta quinta-feira (10). Os deputados fizeram acordo e optaram por não pedir a prorrogação dos trabalhos.
Prisão de contrabandista
No dia 1º de junho, o empresário chinês Law Kin Chong, considerado pela polícia uma espécie de líder da pirataria em São Paulo, e seu advogado Pedro Lindolfo foram presos em flagrante ao tentar subornar o presidente da CPI, deputado Medeiros (PL-SP).
Para materializar o crime, Medeiros combinou com o advogado de Chong o pagamento de R$ 1,5 milhão para não citar o chinês no relatório da CPI. O "acerto" foi feito entre Medeiros e o advogado no dia 27 de maio, em reunião no hotel Eldorado, na capital paulista. O deputado denunciou o suborno à Polícia Federal e ao Ministério Público, e armou o flagrante.
Propina em dólares
O advogado foi preso no escritório de Medeiros, onde levava a primeira parcela da propina combinada, de 75 mil dólares em dinheiro. Chong foi preso na Avenida Prestes Maia, no centro de São Paulo.
Há suspeitas de que o empresário chinês receba proteção de alguns policiais, tanto da Polícia Federal quanto da Civil. No entanto, Medeiros ressaltou que esses policiais são exceção, e que a prisão de Chong não teria sido possível se não tivesse havido o apoio de toda a polícia. "A prisão é uma vitória da CPI", comemorou o parlamentar.
O presidente da comissão explicou ainda que o empresário chinês foi preso não apenas por tentativa de suborno, mas também por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e vários outros crimes. O deputado Josias Quintal esteve na Polícia Federal para ouvir novo depoimento do empresário chinês, que se recusou a prestar novas informações à CPI