Por Redação, com Agência Câmara e Agências de Notícias - de Brasília:
O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu disse, logo no início da reunião da CPI da Petrobras em Curitiba (PR), na manhã desta segunda-feira, que seguiria a orientação do seu advogado e permaneceria em silêncio durante o depoimento.
O deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) questionou se Dirceu prestou consultoria para as empreiteiras investigadas na Lava Jato
O relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), perguntou se ele prestou consultoria para as empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato, mas Dirceumanteve a decisão de se manter em silêncio. Com isso, o relator disse que não iria mais fazer perguntas a ele.
O ex-ministro foi preso quando cumpria pena de 7 anos de prisão em regime domiciliar por envolvimento no mensalão. O Ministério Público suspeita que a empresa de consultoria dele recebeu dinheiro desviado da Petrobras. Ele nega.
O presidente da CPI, deputado Hugo Motta, chegou a oferecer a Dirceu a oportunidade de depor em reunião secreta. O ex-ministro respondeu com a frase "Seguindo orientação de meus advogados, vou permanecer em silêncio".
Apesar de repetir sempre a mesma resposta, os deputados insistiram em perguntar.
- Como o senhor conseguiu ganhar quase R$ 30 milhões com sua empresa de consultoria, em um período em que o PIB brasileiro caiu quase 2%? - perguntou o deputado Bruno Covas (PSDB-SP).
- O senhor é o líder dessa organização criminosa? - perguntou o deputado Delegado Waldir (PSDB-GO).
- O senhor participou de consultorias relativas à venda de ativos da Petrobras na África? - questionou o deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA).
- Por orientação de meus advogados, vou permanecer em silêncio - respondeu Dirceu a todas as perguntas.
A deputada Maria do Rosário (PT-RS) fez uma defesa dos governos Lula e Dilma na gestão da Petrobras e protestou contra o fato de Dirceu, preso há mais de dez dias, não ter sido ouvido ainda pela Polícia Federal em relação às acusações que pesam sobre ele.
- A Petrobras foi revigorada pelo presidente Lula e pela presidente Dilma. Estamos combatendo a corrupção. Venho aqui dizer que a pessoa que está em investigação e tem o direito constitucional de ficar calada não foi até agora sequer ouvida ainda pela polícia -disse.
O representante no Brasil da empresa italiana Saipem, João Antonio Bernardi Filho, segundo a prestar depoimento, também permaneceu em silêncio.
Além de Dirceu, a CPI pretende ouvir, nesta segunda-feira, o ex-diretor da área Internacional da Petrobras Jorge Zelada, e três empresários. Dois são executivos da empreiteira Andrade Gutierrez: Otávio Marques de Azevedo e Elton Negrão de Azevedo. O terceiro é João Antonio Bernardi Filho, representante no Brasil da empresa italiana Saipem.
No dia 3 de agosto, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) disse que "a prisão de Dirceu é ilegal e absurda. Deverá ser revogada pelo Supremo Tribunal Federal". Na época, em entrevista a jornalistas, Requião discordou dos métodos aplicados pelo juiz Sergio Moro.
Para o parlamentar peemedebista, do ponto de vista legal, não como prender quem já está preso.
– Dirceu cumpre pena domiciliar pela condenação da AP 470, logo ele não poderia ser preso. No máximo seria uma condução coercitiva para depoimento em Curitiba – explicou.
Requião também afirmou que juízes e procuradores estariam vestindo capuz da Santa Inquisição e máscara do Zorro. O senador quis dizer que os responsáveis pela Operação Lava Jato estariam agindo como “justiceiros”, sem o equilíbrio necessário.
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