Rio de Janeiro, 01 de Outubro de 2026

CPI contra corrupção é retomada após denúncia de Caixa 2 contra Yeda

Em fevereiro passado, quando surgiram as primeiras denúncias, 15 deputados haviam declarado apoio a uma CPI, que precisa de pelo menos 19 adesões para ser aberta. (Leia Mais)

Terça, 12 de Maio de 2009 às 09:36, por: CdB

Deputados do Partido dos Trabalhadores (PT) na Assembléia Legislativa iniciam nesta terça-feira o recolhimento de assinaturas para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) a fim de apurar as denúncias de corrupção contra o governo de Yeda Crusius. Uma matéria publicada em uma revista de grande circulação neste final de semana motivou os parlamentares a retomarem a tentativa de instalar uma CPI.

A revista revela parte de conversas gravadas em que o lobbista Lair Ferst e o ex-chefe da representação do governo gaúcho em Brasília, Marcelo Cavalcante, tratam do uso de caixa dois durante a campanha e desvio de recursos eleitorais pela governadora para comprar uma mansão em Porto Alegre. Para o presidente da bancada do PT, deputado Elvino Bohn Gass, a CPI é a única forma de se obter acesso às gravações, que estariam em posse do Ministério Público Federal. Em Fevereiro passado, quando surgiram as primeiras denúncias, 15 deputados haviam declarado apoio a uma CPI, que precisa de pelo menos 19 adesões para ser aberta.

– A única forma de esclarecermos isso para a sociedade gaúcha é ter acesso a esses documentos. Individualmente, não tenho acesso, mas posso ter mediante uma CPI. Ela dialoga com diversos setores, como o Ministério Público e a Polícia Federal, a fim de esclarecer o que todo o gaúcho quer: a apuração – disse.

Parte das denúncias trazidas pela revista Veja já havia sido divulgadas pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) em Fevereiro passado. É o caso dos pagamentos de contas pessoais de Yeda pela agência de publicidade DCS, a doação de R$ 400 mil das fumageiras Alliance One e CTA-Continental e o uso de dinheiro ilegal na compra da casa da governadora.

No entanto, além de reforçar a existência das gravações, a matéria aponta o recebimento de dinheiro do Caixa Dois pelo marido da governadora, Carlos Crusius. Ao entrevistar a viúva de Marcelo Cavalcante, Magda Cunha, a revista relata que o coordenador de campanha de Yeda entrou em depressão ao saber das gravações feitas por Lair Ferst e que havia decidido depor à Justiça, mas morreu duas semanas antes em Brasília.

A viúva também confirmou à revista que quando Yeda ainda era deputada, recebia todo mês cerca de R$ 10 mil reais do Sindicato da Indústria da Construção de Estradas (Sicepot). Quem recebia o dinheiro era Walna Vilarins, a atual coordenadora de ações administrativas do governo estadual. A governadora Yeda Crusius nega as denúncias e desqualificou o depoimento de Magda.

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