Em meio a muita discussão, os membros da CPI dos Correios aprovaram nesta quarta-feira a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico nos últimos cinco anos do publicitário Marcos Valério de Souza, acusado de ser responsável pelo pagamento do "mensalão", e do empresário Artur Washeck, que encomendou a gravação que mostra o funcionário dos Correios Maurício Marinho recebendo propina.
Falta ainda ser avaliada a quebra do sigilo da mulher e das agencias de propaganda de Valério, a DNA e a SMPB, o que deve acontecer até o fim do dia.
É justamente neste ponto que os parlamentares da oposição e da base governista não se entendem, gerando muito bate-boca e atrasando por horas os depoimentos de três ex-diretores dos Correios marcados para esta manhã.
Enquanto a oposição defende a quebra irrestrita do sigilo das empresas, os governistas propuseram que ela seja limitada aos contratos firmados com os Correios. Na argumentação do relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), a quebra parcial seria importante para evitar futuros questionamentos judiciais.
Desde cedo, os deputados e senadores tentam negociar a quebra do sigilo de Valério em reuniões fechadas, com forte pressão da oposição, que acredita que o publicitário pode gerar muitas informações contra o governo.
- É uma coisa assustadora o pânico que eles (da base) têm com o Marcos Valério - afirmou o tucano deputado Eduardo Paes (RJ)
Coube ao presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS), buscar flexibilizar os parlamentares governistas a aceitarem votar os requerimentos sobre a quebra de sigilo. Ele chegou a dizer que não queria uma "CPI chapa-branca" aos seus colegas.
O deputado Maurício Rands (PT-PE) propôs ainda que seja quebrado os sigilos bancário, fiscal e telefônico da ex-secretária de Marcos Valério, Fernanda Karina Somaggio. O depoimento dos dois na CPI está marcado para a próxima quarta-feira (6 de julho), quando deve acontecer uma acareação entre os dois.
Na quinta-feira, está marcado o depoimento do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) na CPI. De acordo com um parlamentar, o presidente licenciado do PTB pode divulgar possível origem do dinheiro que ia para o "mensalão". Esta revelação envolveria funcionários de Furnas, subsidiária da Eletrobrás.