Em uma quadra, fora do circuito turístico, de San Telmo, e, por sinal, muito pouco atrativa, está localizada a casa do chef Alejandro Diglio, o restaurante La Vineria di Gualterio Bolivar.
A proposta do chef é apresentar uma cozinha de vanguarda denominada tecno emocional. O meunu fixo tem 11 passsos com preparações que utilizam as técnicas de gelificação, espumas, texturas, esferificações que vem sendo aplicadas nos últimos 15 anos, mais ou menos.
O ambiente é bem simples e pequeno e, nesse ponto, devo dizer que a exaustão da casa deixa muito a desejar, sendo inevitável que você consiga sair do restaurante sem carregar os diversos odores da cozinha que é totalmente aberto ao salão. A rigor bato palmas para o serviço de salão e a bela e precisa indicação dos vinhos na harmonização com o menu.
No mais, a sequência de 11 passos se revelam bem cansativa, inclusive no paladar. A técnica apresentada pela equipe é impecável, um trabalho primoroso. Mas, entendo que, diferentemente de uma escultura, por exemplo, o cliente de um restaurante espera que, além de técnica, apresentação, o prato seja saboroso, equilibrado, digestivo etc.
E isso, não alcançou oo restaurante. Não tenho dúvidas que uma vieira é mais saborosa que pó de vieira.
A rigor essa gastronomia chamada de molecular, de vanguarda, contemporânea acrescentou certas técnicas de preparo e de apresentação que se sedimentaram em todas as cozinhas e, ao meu ver, não "caem de moda".
Dessa forma, se você busca uma experiência gastronômica em que lhe seja apresentada uma diversidade de técnicas e métodos de preparo não usuais (maioria do restaurante), você tem essa oportunidade por um preço inferior à metade de qualquer outro restaurante da Europa e América.
Por outro lado, se espera ter um jantar que lhe dê aquela sensação "de quero mais", de sonhar com esse ou aquele prato, risque da sua lista.
Flavio Vitari é chef de cozinha e colunista do Correio do Brasil, sempre às sextas-feiras.
Edita também a página www.flaviovitari.com.br
Cozinha de vanguarda em Buenos Aires
Por Flavio Vitari - Em uma quadra, fora do circuito turístico, de San Telmo, e, por sinal, muito pouco atrativa, está localizada a casa do chef Alejandro Diglio, o restaurante La Vineria di Gualterio Bolivar. A proposta do chef é apresentar uma cozinha de vanguarda denominada tecno emocional
Sexta, 17 de Setembro de 2010 às 00:46, por: CdB
Em uma quadra, fora do circuito turístico, de San Telmo, e, por sinal, muito pouco atrativa, está localizada a casa do chef Alejandro Diglio, o restaurante La Vineria di Gualterio Bolivar.
A proposta do chef é apresentar uma cozinha de vanguarda denominada tecno emocional. O meunu fixo tem 11 passsos com preparações que utilizam as técnicas de gelificação, espumas, texturas, esferificações que vem sendo aplicadas nos últimos 15 anos, mais ou menos.
O ambiente é bem simples e pequeno e, nesse ponto, devo dizer que a exaustão da casa deixa muito a desejar, sendo inevitável que você consiga sair do restaurante sem carregar os diversos odores da cozinha que é totalmente aberto ao salão. A rigor bato palmas para o serviço de salão e a bela e precisa indicação dos vinhos na harmonização com o menu.
No mais, a sequência de 11 passos se revelam bem cansativa, inclusive no paladar. A técnica apresentada pela equipe é impecável, um trabalho primoroso. Mas, entendo que, diferentemente de uma escultura, por exemplo, o cliente de um restaurante espera que, além de técnica, apresentação, o prato seja saboroso, equilibrado, digestivo etc.
E isso, não alcançou oo restaurante. Não tenho dúvidas que uma vieira é mais saborosa que pó de vieira.
A rigor essa gastronomia chamada de molecular, de vanguarda, contemporânea acrescentou certas técnicas de preparo e de apresentação que se sedimentaram em todas as cozinhas e, ao meu ver, não "caem de moda".
Dessa forma, se você busca uma experiência gastronômica em que lhe seja apresentada uma diversidade de técnicas e métodos de preparo não usuais (maioria do restaurante), você tem essa oportunidade por um preço inferior à metade de qualquer outro restaurante da Europa e América.
Por outro lado, se espera ter um jantar que lhe dê aquela sensação "de quero mais", de sonhar com esse ou aquele prato, risque da sua lista.
Flavio Vitari é chef de cozinha e colunista do Correio do Brasil, sempre às sextas-feiras.
Edita também a página www.flaviovitari.com.br