Presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e social (BNDES), Luciano Coutinho disse, nesta sexta-feira, que os problemas financeiros enfrentados pela petroleira de Eike batista, OGX, não passam de um "acidente de mercado" que não deve atrapalhar o projeto de ampliação do mercado de capitais.
– O mercado de capitais sabe diferenciar essas coisas e sabe que acidentes acontecem em todo o mundo – disse Coutinho ressaltando que, prova disso, é que recentemente várias emissões foram realizadas no exterior. Ele participou do 5º seminário Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) de Renda Fixa e Derivativos de Balcão.
Perguntado se as finanças do BNDES não seriam especificamente afetadas pelos problemas no grupo "X" , Coutinho disse que não há essa possibilidade. Isso porque, de acordo com ele, nas operações entre o banco de fomento e as empresas de Eike existem fianças bancárias de "instituições sérias" e não apenas do BNDES.
Ações sobem Eike Batista já esteve entre os homens mais ricos do mundo, até o pedido de concordata de uma de suas empresas
Nesta manhã, os papéis da OGX saltavam com força, no primeiro dia da endividada petroleira de Eike Batista fora do Ibovespa após a companhia ter entrado com pedido de recuperação judicial. Às 11h57, a ação da empresa tinha alta de 15,38%, a R$ 0,15, diante de variação negativa de 0,67% do Ibovespa. Assim que as ações da OGX começaram a ser negociadas, a alta superou os 30%.
As ações da petroleira deixaram de fazer parte do cálculo do índice por causa do pedido de recuperação judicial feito pela empresa na quarta-feira. Na véspera, as ações da OGX fecharam em queda de 17,65% na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), cotadas a R$ 0,14. Na mínima do dia, as ações da petroleira de Eike Batista chegaram a custar R$ 0,12, uma queda de quase 29% por volta das 11h30. No auge da valorização, os papeis da empresa custaram as ações da empresa chegaram a valer R$ 23,28.
Se o pedido de recuperação da empresa for aceito, a OGX terá 60 dias para apresentar um plano de reestruturação de sua dívida e, os credores, terão 30 dias para se manifestar. O processo inteiro pode levar até 180 dias (seis meses). Caso a empresa não entre em um acordo financeiro com os credores, possivelmente a falência será decretada.
Em concordata
As negociações foram suspensas até 11h do pregão de quinta-feira e foram liberadas normalmente após este horário, segundo a BM&FBovespa. "Os procedimentos de liquidação e de administração de risco de operações à vista e com liquidação futura envolvendo OGXP3, inclusive BTC, permanecem inalterados", afirmou a instituição.
Ao final do pregão de quinta-feira, a BM&FBovespa realizou procedimento especial de negociação (call de fechamento) para determinação do preço de retirada da OGX dos índices de ações, entre eles o Ibovespa, deixando de integrá-los a partir desta sexta-feira.
Na sequência, as carteiras teóricas serão rebalanceadas, com a exclusão da OGX, de acordo com os termos de suas metodologias. Além do Ibovespa, as ações também integram outros nove índices, como IBrX, IBrX-50 e Índice Small Cap.
O pedido de recuperação da OGX, feito na 4ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, o maior da história de uma empresa latino-americana, segundo dados da agência norte-americana de dados econômicos Thomson Reuters, foi apresentado pela empresa na quarta-feira. A medida tornou-se a única alternativa para a companhia depois que fracassaram as negociações com detentores de US$ 3,6 bilhões em bônus no exterior para uma reestruturação da dívida.
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