O ex-deputado e presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, disse nesta terça-feira, em depoimento na CPI do Mensalão, que nunca negociou participação em dinheiro na aliança entre o PL e o PT e sim uma participação nos recursos da campanha. Assim, explicou, dos R$ 40 milhões destinados a cobrir os gastos das duas campanhas, R$ 10 milhões iriam para PL, já que o PT tinha 59 deputados e o PL, 23.
De acordo com ele, a verticalização das alianças, que obrigava os partidos a fazer as mesmas coligações, até mesmo nos estados, provocou insegurança no partido.
- Durante quatro anos, nos preparamos para fazer os 5% do partido (de representação na Câmara) para atingir o tempo de televisão e a verba partidária. Teríamos o apoio presidencial, mas com os estados livres para atingir os 5% - declarou, alegando que nestas condições, o PL teria que participar dos recursos da campanha, num acordo exclusivamente político.
Costa Neto disse ainda que investiga a compra de votos de parlamentares da base do governo e que não vai tirar o processo na Conselho de Ética da Câmara dos Deputados contra o Roberto Jefferson (PTB-RJ).
- Eu quero dar esse recado para o Roberto Jefferson, como ele deu o recado ao José Dirceu. Não retiro seu processo de jeito nenhum. Vossa Excelência ficará oito anos sem mandatos porque vai ser cassado e banido da vida partidária brasileira. Não pense, Roberto Jefferson, que você vai ficar em Cabo Frio, não. Vai pagar pelos seus crimes. Ele fazia ameaças de expor minha vida pública e pessoal se eu não tirasse o processo. A renúncia libertou-me das ameaças de Roberto Jefferson. Não tenho mais imunidade parlamentar. Preferi a liberdade a enfrentar a chantagem.
O presidente do PL negou que tenha havido negociação para a retirada do processo e que por duas vezes foi procurado para que voltasse atrás. Em uma reunião, disse o ex-deputado, na casa de Severino Cavalcanti (PP-PE), ele negou pedido de deputados e sugeriu que o processo contra o petebista fosse até acelerado.
- Muitos deputados me pediram que eu jogasse uma bóia para que o Roberto Jefferson pudesse se salvar - comentou.
O ex-deputado falou que Jefferson ficou desorientado com sua determinação e que atirou contra o próprio partido:
- Roberto Jefferson não contava que o processo entraria no Conselho de Ética e ele não poderia renunciar. Minha denúncia provocou pânico no Roberto Jefferson. Aí ele perdeu a cabeça. Foi desmentido pelo líder do seu partido, deputado José Múcio (PTB-PE), comprometeu Emerson Palmieri (tesoureiro informal do PTB), deixou as acusações chegarem a Martinez (José Carlos) e acusou membros do próprio PTB.
O ex-deputado abriu seu depoimento na CPI do Mensalão alegando que renunciou ao mandato em defesa de seu partido. Costa Neto disse que recebeu involuntariamente dinheiro não contabilizado (caixa dois) do PT, e que portanto, diante das denúncias era incompatível manter um mandato sem que fossem confundidas as defesas em nome do partido. Costa Neto, no entanto, cometeu um ato falho ao dizer "lista" quando queria dizer "Câmara dos Deputados".
- Renunciei ao meu mandato para defender o meu partido. Se permanecesse na lista eu não poderia defender o meu partido - afirmou, sem perceber.
Costa Neto nega ter recebido dinheiro para se aliar ao PT
O ex-deputado e presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, disse nesta terça-feira, em depoimento na CPI do Mensalão, que nunca negociou participação em dinheiro na aliança entre o PL e o PT e sim uma participação nos recursos da campanha. Assim, explicou, dos R$ 40 milhões destinados a cobrir os gastos das duas campanhas, R$ 10 milhões iriam para PL, já que o PT tinha 59 deputados e o PL, 23. (Leia Mais)
Terça, 23 de Agosto de 2005 às 10:12, por: CdB