O Governo de transição da Costa do Marfim pediu à ONU que aprove o destacamento no país de uma força militar internacional significativa para apoiar e dinamizar o processo de paz, informou nesta sexta-feira, a rádio senegalesa.
O pedido foi feito depois da reinserção esta semana na nova administração dos nove ministros designados pelas formações ex-rebeldes depois de quase quatro meses de ausência.
O boicote ao Executivo aconteceu pela disputa com o presidente marfinense, Laurent Gbagbo, devido à "lentidão na implementação dos acordos alcançados em Marcoussis (França) em janeiro de 2003".
- Espero que a ONU atenda o pedido da Costa do Marfim e incremente substancialmente em número a atual Missão de paz (Minuci, em francês) - disse nesta quinta-feira aos jornalistas o enviado especial a esse país do secretário-geral do organismo internacional, Philippe Djangone-Bi.
Na atualidade, a Minuci conta com 30 pessoas que dão assistência aos 4.000 efetivos franceses e 1.200 soldados de vários Estados de África ocidental destacados na Costa do Marfim para velar pelo cumprimento do cessar-fogo.
Embora as confrontações armadas tenham praticamente cessado desde o julho passado, o país continua dividido em três partes, o que dificulta a reconciliação nacional, além da recuperação econômica e social do maior produtor mundial de cacau.
O norte e oeste estão sob o controle dos ex-rebeldes, hoje agrupados no partido político Forças Novas, enquanto o sul abriga o Governo de Gbagbo protegido pelas forças leais.
O secretário geral da ONU, Kofi Annan, disse a respeito que "não haverá progresso na Costa do Marfim até que as separações territoriais de facto desapareçam".