Pela primeira vez, a ópera <i>Così Fan Tutte</i> de Mozart ganhará uma versão encenada, com orquestra, figurinos e cenários. Isso já seria novidade suficiente, mas não é o que acontecerá nos palcos do teatro São Pedro em São Paulo, na quinta-feira. A obra será apresentada por cantores líricos que nunca participaram de uma ópera encenada e por músicos da Banda Sinfônica Jovem, que também fazem sua primeira apresentação.
<i>Così Fan Tutte</i> estreou em 1790 e é parceria entre Mozart (1756-91) e Lorenzo da Ponte (1749-1838), autor do libreto. Juntos, eles assinaram ainda <i>As Bodas de Fígaro,/i> e <i>Don Giovanni</i>.
Ópera cômica, <i>Così Fan Tutte</i> pode ser considerada pouco correta, por defender a idéia de que todas as mulheres são infiéis.
A tese da infidelidade feminina é do personagem Don Alfonso, que provoca dois jovens amigos a testar a fidelidade de suas namoradas, Fiordiligi e Dorabella. Eles inventam um motivo para se afastarem das moças e assumem identidades falsas, com as quais passam a cortejá-las, ajudados pela empregada Despina.
A ópera foi escolhida para inaugurar o projeto de ópera-estúdio da Escola Livre de Música Tom Jobim, que pretende encenar a cada ano uma nova ópera com seus alunos. O orçamento da montagem é de R$ 180 mil - uma versão profissional sairia por R$ 900 mil. Ninguém ganha cachê, com exceção dos professores e dos maestros.
Mauro Wrona, 49, diretor cênico e coordenador do projeto, também é estudante. Com sólida carreira internacional como cantor lírico na Europa e nos EUA, ele decidiu estudar regência na Faculdade Santa Marcelina. Antes, porém, ele teve que completar o ensino médio (segundo grau) que havia abandonado. Segundo ele, as óperas-estúdio, feitas por novatos, são comuns fora do Brasil.
O objetivo é que esse modelo se reproduza aqui. Clodoaldo Medina, diretor da Universidade Livre de Música, convidou os principais produtores de ópera do país para assistir aos seus alunos.