Rio de Janeiro, 29 de Agosto de 2026

Corte não pode atingir PAC nem investimentos

Quarta, 08 de Dezembro de 2010 às 10:46, por: CdB

Tranquilizadoras as declarações - na verdade reafirmações - do presidente Lula sobre os cortes no Orçamento Geral da União, necessários, mas que não podem atingir nem as obras do PAC e muito menos os investimentos.

O presidente falou em cima das declarações feitas na 2ª feira, no Rio, pelo atual e futuro ministro da Fazenda, Guido Mantega  que, da forma como foram publicadas ontem, davam a entender que haveria cortes não apenas no custeio mas nas obras do PAC e nos investimentos.

Como afirmamos ontem aqui no Blog, os compromissos de campanha e do programa da presidente eleita Dilma Rousseff precisam e serão cumpridos. E eles não batem com o anúncio feito pelo ministro Mantega.

Medidas só teriam sentido com corte de juros


Tampouco há razão para adoção das medidas anunciadas por ele se elas não vierem acompanhadas de uma redução das nossas taxas de juros (Selic) - até porque não surtiriam os efeitos ambicionados.
Resta saber como o titular da Fazenda entende a reorganização das novas obras do PAC, daquelas sobre as quais ele falou em alongamento do início do cronograma de execução e quais são obras.

Como citamos ontem aqui nesse diário, a presidenta eleita assumiu compromissos expressos com o país na questão da construção de centenas de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), Unidades de Pronto Atendimento na Saúde (UPAs), creches, quadras poliesportivas, institutos federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFETs) e de um milhão de moradias na fase inicial do programa  Minha Casa Minha Vida. Isso, sem falar na continuidade do PAC 1 e na execução do PAC 2.

Repostas as coisas sobre o PAC nos devidos lugares pelo presidente Lula e por uma nota oficial emitida pelo Ministério da Fazenda em nome do ministro Mantega, a questão de fundo que persiste é qual será nossa política monetária e fiscal e qual o equilíbrio entre as duas.

Não à tese do PIB potencial

Se predominar a continuidade do aumento dos juros e voltarmos à tese do PIB potencial e do prêmio mínimo para os credores de nossa dívida, vamos ter que fazer mesmo um ajuste fiscal. E dos grandes, já que o real vai valorizar mais e o déficit público crescer pela necessidade de pagar o serviço da dívida interna que será cada vez maior.

Mas aí, esse seria um caminho que já conhecemos e que não atende as expectativas do país. Não temos outra saída a não ser o que já disse ontem, anteontem e sempre: temos que reduzir os juros e controlar a médio prazo nosso déficit, tanto o fiscal quanto o de contas correntes.

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