A Corte Internacional de Justiça (CIJ) de Haia, o principal órgão judicial da ONU, abriu nesta segunda-feira a audiência sobre as conseqüências legais da barreira de separação erguida por Israel nos territórios palestinos ocupados na Cisjordânia.
O presidente do Tribunal, o magistrado chinês Shi Jiugng, abriu a sessão lembrando que a atuação da CIJ se produz a pedido da Assembléia Geral da ONU.
Imediatamente, passou a palavra ao representante palestino, Nasser Al-Kidwa, que ressaltou sua presença na CIJ "como representante dos palestinos, aos quais durante muito tempo lhes foi negado o direito de autodeterminação e soberania sobre seu país".
"A população palestina esteve submissa a uma ocupação militar por quase 37 anos e foi desumanizada, humilhada", disse Al Kidwa, que acrescentou que "os direitos dos palestinos não podem ser simplesmente ignorados ou suspensos enquanto há um processo de paz em andamento".
O embaixador palestino ressaltou que "o direito internacional não é irrelevante ante a situação do território palestino ocupado".
Sobre os ataques suicidas, Al Kidwa destacou que "não é verdade" o argumento utilizado por Israel, de que o muro foi construído por razões de segurança.
O diplomata, que ressaltou a importância da opinião que a CIJ terá que dar, acrescentou que "o povo palestino tem muitas esperanças neste processo", já que acha que ele terá "desenvolvimentos positivos".
A CIJ, a pedido da Assembléia Geral da ONU, dará uma "opinião" sem caráter consultivo sobre as conseqüências legais da construção do muro por Israel, país que, além disso, se negou a participar das audiências e não reconhece a competência da Corte neste assunto.
As audiências acontecerão durarão três dias e, depois da intervenção da Palestina, está previsto para esta tarde as da África do Sul, Arábia Saudita, Argélia e Bangladesh.