Decisão de tribunal arbitral esportivo afeta mais de 60 atletas da Rússia, entre eles a estrela Yelena Isinbayeva, e pode influenciar COI, que estuda afastar toda a equipe olímpica do país dos Jogos do Rio
Por Redação, com DW - de Moscou:
A Corte Arbitral do Esporte (CAS) decidiu nesta quinta-feira rejeitar o apelo feito pela Rússia para que seus competidores de atletismo, banidos devido a um esquema sistemático de dopagem, possam competir nos Jogos Olímpicos do Rio.
A decisão rejeita recurso apresentado por 68 atletas russos
A decisão rejeita recurso apresentado por 68 atletas russos, entre eles Yelena Isinbayeva, bicampeã olímpica no salto com vara, e pelo Comitê Olímpico da Rússia. E pode influenciar o Comitê Olímpico Internacional (COI), que, a duas semanas dos Jogos, está sob pressão para banir toda a equipe russa das competições e já disse que levaria em conta a opinião do tribunal em sua decisão final.
– Na minha opinião, esta é uma decisão subjetiva, uma decisão um pouco politizada, que não tem nenhuma base jurídica – disse o ministro dos Esportes da Rússia, Vitaly Mutko, logo após conhecer a decisão da CAS.
O tribunal manteve, assim, a decisão da Federação Internacional de Atletismo (Iaaf), que no mês passado suspendeu todos os competidores russos de atletismo, em meio ao escândalo que relacionou vários atletas do país a um programa de dopagem. A decisão foi tomada após a divulgação de um relatório da Wada, a agência mundial antidoping.
Semanas depois, em outro relatório, uma investigação da Wada encontrou indícios de um esquema de doping patrocinado pelo Estado russo na Olimpíada de Inverno de Sochi de 2014.
Os especialistas, liderados pelo jurista canadense Richard McLaren, afirmaram que o laboratório antidoping de Moscou operava para proteger os atletas russos dopados, dentro de um sistema comandado pelo Estado.
Um laboratório em Sochi executou um sistema de troca de amostras que permitiu a atletas russos dopados competirem nos Jogos de Inverno de 2014. Dezenas de atletas, incluindo 15 medalhistas, concorreram dopados, afirmou o relatório.
Segundo a investigação, o serviço secreto russo (FSB) e o centro de treinamento de atletas de ponta CSP tiveram participação ativa nas fraudes.
O dirigente do Comitê Olímpico da Rússia, Alexander Zhukov, disse na quarta-feira que o país não tem intenção de boicotar os Jogos em protesto contra a maneira como o escândalo de doping está sendo tratado. Segundo ele, a política não tem lugar no esporte.
Antes da decisão desta quinta-feira do tribunal, o Comitê Olímpico Russo havia anunciado a intenção de levar 387 esportistas homens e mulheres ao Rio de Janeiro.
O CAS deixou a porta fica aberta para atletas que tenham treinado no exterior durante vários anos e passado pelo controle de agências antidoping de outros países. Apenas a saltadora em distância Darya Klishina poderá participar dos Jogos, por treinar nos Estados Unidos
Doping na Rússia
A Rússia executou um programa estatal de doping que ia além do atletismo e que beneficiou atletas olímpicos ao longo de pelo menos quatro anos, constatou uma investigação da Agência Mundial Antidoping (Wada) divulgada na última segunda-feira.
O resultado de uma comissão da Wada, divulgado em Toronto, no Canadá, mostra que "sem sombra de dúvidas" o Ministério russo do Esporte conduziu, controlou e supervisionou as manipulações.
A divulgação elevou os apelos para que a Rússia, que já teve sua equipe de atletismo banida da Rio 2016 pelo mesmo motivo, seja excluída por completo dos Jogos. O documento, porém, exime-se de fazer recomendações nesse sentido.
Os especialistas, liderados pelo jurista canadense Richard McLaren, afirmaram que o laboratório antidoping de Moscou operava para proteger os atletas russos dopados, dentro de um sistema comandado pelo Estado.
Troca de amostras
Um laboratório em Sochi executou um sistema de troca de amostras que permitiu a atletas russos dopados competirem nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2014. Dezenas de atletas, incluindo 15 medalhistas, concorreram dopados, afirmou o relatório.
Segundo a investigação, o serviço secreto russo (FSB) e o centro de treinamento de atletas de ponta CSP tiveram participação ativa nas fraudes.
– O sistema foi implantado depois dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2010, em Vancouver, e funcionou até 2014 – disse McLaren.
Segundo a investigação, as análises positivas eram entregues pessoalmente ao ministro dos Esportes da época, Yuri Nagornij, que decidia quem seria beneficiado ou não com o encobrimento. Ainda de acordo com relatório, o esquema foi uma evolução de outros existentes anteriormente.
– O sistema funcionou bem para encobrir o doping, exceto nas grandes competições internacionais. Para Sochi, os russos precisavam de uma metodologia nova, diferente. Então, o método de trocas de exames foi iniciado – garantiu.
Agência alemã pede exclusão
A investigação teve como ponto de partida acusações feitas pelo ex-chefe do laboratório antidoping de Moscou Grigory Rodchenkov. Há dois meses, ele denunciou ao jornal The New York Times que dezenas de russos usaram substâncias proibidas para obter aumento de desempenho em Sochi, com a devida aprovação de autoridades esportivas nacionais.
As descobertas do relatório aprofundam a crise que cerca atletas russos e que vêm gerando um crescente movimento pelo banimento da Rússia dos Jogos de 2016, que começam em 5 de agosto. Logo após a divulgação, a agência antidoping da Alemanha, a Nada, defendeu que a Rússia seja excluída do Rio.
No mês passado, com base em outra investigação da Wada, o Comitê Olímpico Internacional (COI) confirmou a decisão da Federação Internacional de Atletismo (Iaaf) de banir russos das competições da categoria nos Jogos do Rio.
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