Rio de Janeiro, 20 de Janeiro de 2026

Corruptos não deveriam ir para cadeia, diz desembargador

O desembardor José Ricardo de Siqueira Regueira, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, disse que acusados de crimes de corrupção não deveriam ser presos. A declaração foi dada durante a coletiva de imprensa que concedeu, na manhã desta quinta-feira, na sede da Justiça Federal do Rio de Janeiro, para esclarecer as acusações feitas pela Polícia Federal na Operação Furacão. O desembargador negou todas as acusações e criticou a atuação da Polícia Federal. (Leia mais)

Quinta, 26 de Abril de 2007 às 09:11, por: CdB

O desembardor José Ricardo de Siqueira Regueira, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, disse que acusados de crimes de corrupção não deveriam ser presos. A declaração foi dada durante a coletiva de imprensa que concedeu, na manhã desta quinta-feira, na sede da Justiça Federal do Rio de Janeiro, para esclarecer as acusações feitas pela Polícia Federal na Operação Furacão. O desembargador negou todas as acusações e criticou a atuação da Polícia Federal.

- Prisão é pra gente violenta, pra gente perigosa. Não vejo necessidade de prisão para gente pacífica - disse Regueira, explicando que os crimes de corrupção deveriam ter penas de natureza pecuniária.

Regueira citou números da insegurança e disse que se a PF estivesse fazendo a parte dela, o país não teria tantos crimes financeiros. As acusações, segundo o magistrado, fazem parte de uma conspiração da PF e do Ministério Público Federal.

- Quando é que a Polícia Federal fez uma operação desta em uma favela? Agora, para prender velhinhos é eficiente - disse o desembargador, lembrando que a média de idade dos presos é de 70 anos.

O desembargador negou todas as suspeitas levantadas pela Polícia Federal através da Operação Furacão. Ele disse que não manteve contatos com o bicheiro Aílton "Capitão" Guimarães, com Anísio Abraão David ou com Antonio Kalil, o Turcão.

O magistrado é investigado sob a acusação de pertencer à máfia do jogo ilegal, corrupção e venda de decisões judiciais a donos de casa de bingos e de máquinas de caça-níqueis.

Regueira afirmou ainda que sofreu humilhações enquanto esteve preso na Superintendência da PF de Brasília. - Éramos obrigados a ir ao banheiro acompanhados de um 'rambo' - disse. - Isso é muito humilhante, pois não ofereço risco a ninguém - reclamou.

O desembargador disse que nunca teve contato com o bicheiro Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio (Liesa). Também negou ter qualquer tipo de relação com o policial civil Marco Antônio dos Santos Bretas, o Marcão, também suspeito de pertencer à quadrilha.
 

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