As recentes denúncias de corrupção pressionaram para baixo a avaliação do governo e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mostrou nesta sexta-feira pesquisa do Ibope encomendada pela Confederação Nacional da Indústria.
A avaliação ótima e boa do governo recuou de 39 por cento em março para 35 por cento em junho. A avaliação ruim e péssima subiu de 17 por cento para 22 por cento no mesmo período. A regular permaneceu estável em 41 por cento.
"Após a interrupção observada há três meses do processo de recuperação da popularidade, a pesquisa atual confirma um movimento de queda de avaliação do governo do presidente Lula", informou a CNI em nota sobre a pesquisa.
"Os números mostram um recuo da avaliação do governo a um patamar próximo ao registrado em março do ano passado, logo após as denúncias envolvendo o ex-assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz", acrescentou a CNI.
A sondagem mostrou que 58 por cento dos entrevistados tomaram conhecimento das denúncias de corrupção nos Correios, no IRB e do chamado "mensalão". Dentro deste grupo, 46 por cento consideram as denúncias absolutamente verdadeiras, enquanto 30 por cento consideram as denúncias mais verdadeiras do que falsas.
"O fato de a pesquisa ter sido realizada antes do depoimento do deputado Roberto Jefferson revela ser razoável supor que, agora, esse nível de exposição cresceu", afirmou Amauri Teixeira, consultor da pesquisa.
Em todos os segmentos analisados, houve melhora na avaliação do governo apenas na região Nordeste e entre aqueles que ganham até um salário mínimo por mês.
A queda na avaliação do governo também foi sentida na comparação com a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Na sondagem, 48 por cento da população considera o governo Lula melhor que o governo anterior. Em março, esse patamar era de 52 por cento.
E 21 por cento acham que a atual administração é pior que a anterior, contra 18 por cento há três meses.
CONFIANÇA TAMBÉM CAI
A confiança no presidente também sofreu queda, mas continua num patamar elevado. A sondagem mostra que 56 por cento das pessoas confiam em Lula, contra 60 por cento em março. Esse é o segundo menor índice de confiança registrado desde o início do governo, ficando acima apenas da leitura de 54 por cento em junho de 2004.
Já a parcela de entrevistados que diz não confiar no presidente aumentou de 34 por cento em março para 38 por cento nesta pesquisa.
A mesma tendência também foi verificada na percepção da forma como o presidente governa. Em junho, 55 por cento dos entrevistados manifestaram aprovação, contra 58 por cento em março.
Houve crescimento da desaprovação em todas as áreas do governo, mas o maior percentual foi registrado em relação aos impostos, onde 73 por cento desaprovam, contra 68 por cento em março.
Nos indicadores que revelam a expectativa dos brasileiros quanto à evolução da economia nos próximos seis meses, a sondagem capturou um sensível crescimento da preocupação com a queda na renda das pessoas em geral.
A margem de erro da pesquisa, que ouviu 2.002 pessoas em 143 municípios, é de 2,2 pontos percentuais, em consulta realizada com 2.002 pessoas em 143 municípios.