Rio de Janeiro, 17 de Maio de 2026

Correios rompem com agências de Valério

O Banco do Brasil e os Correios decidiram nesta sexta-feira afastar as agências de publicidade do empresário Marcos Valério de Souza, que prestavam serviços para as estatais. Valério é apontado como principal articulador do esquema de "mensalão". (Leia Mais)

Sexta, 15 de Julho de 2005 às 16:05, por: CdB

O Banco do Brasil e os Correios decidiram nesta sexta-feira afastar as agências de publicidade do empresário Marcos Valério de Souza, que prestavam serviços para as estatais. Valério é apontado como principal articulador do esquema de "mensalão".

O banco foi mais rigoroso e já rescindiu o contrato que tinha com a DNA Propaganda, que já informada da decisão. A agência de publicidade era uma das três --junto com Ogilvy e D+-- que trabalham para o Banco do Brasil.

As demais continuam atuando e o banco não fará nova licitação para colocar outra empresa no lugar da DNA, cujo contrato originalmente terminaria em setembro, mas poderia ser prorrogado.
A verba publicitária total do banco prevista para 2005, informou sua assessoria de imprensa, é de 140 milhões de reais. Pelos contratos, cada agência de publicidade poderia receber entre 15 e 50 por cento desse montante.

Desde o último dia 5, o Banco do Brasil já havia suspendido todas as novas ações publicitárias.
A pressão política, originada pelo escândalo de corrupção nos Correios, também já havia causado outras mudanças no banco. Na quinta-feira, o diretor de Marketing e de Comunicação do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, entrou com pedido de aposentadoria e deixará o cargo.
Entre outros episódios, Pizzolato se envolveu no ano passado com a revelação de que o banco havia patrocinado um show para arrecadar recursos ao PT. Esta é a terceira baixa no banco após os recentes escândalos. Na última semana, os vice-presidentes de Varejo, Edson Monteiro, e de Finanças, Luiz Eduardo Franco de Abreu, deixaram seus cargos na instituição.

CORREIOS

Valério, que já chegou a depor na Polícia Federal e na CPI dos Correios, também é sócio da agência de publicidade SMPB, que tem parceria com os Correios.

De acordo com a assessoria de imprensa da estatal, os contratos foram suspensos e possível rescisão está sendo avaliada pelo departamento jurídico.

Com isso, restaram duas agências de publicidade que continuarão trabalhando com os Correios: Link e Giovanni. A verba total dos Correios para a área neste ano é de 90 milhões de reais.
A SMPB já recebeu 15 milhões de reais brutos neste ano, incluindo verba para pagamento de terceiros. A agência teria embolsado, líquido, apenas 1,6 milhão de reais.

A crise política do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou com a divulgação de uma fita que mostrava o ex-funcionário dos Correios Maurício Marinho recebendo propina.
Ele apontou o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) como mentor do esquema de corrupção nos Correios, o que levou à instalação da CPI. Como reação à divulgação da gravação, Jefferson passou a acusar o PT de pagamento de mesadas a deputados, o que levou ao publicitário Marcos Valério.

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