Rio de Janeiro, 18 de Março de 2026

Correa festeja vitória como presidente do Equador

Candidato socialista à Presidência do Equador, o economista Rafael Correa, declarou-se vencedor no segundo das eleições, realizado neste domingo. Com quase 20% dos votos apurados, Correa tem 66% dos votos válidos. (Leia Mais)

Segunda, 27 de Novembro de 2006 às 09:30, por: CdB

Candidato socialista à Presidência do Equador, o economista Rafael Correa, declarou-se vencedor no segundo das eleições, realizado neste domingo. Com quase 20% dos votos apurados, Correa tem 66% dos votos válidos, quase o dobro dos 34% alcançados por seu adversário, o empresário Álvaro Noboa, segundo os dados do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) equatoriano.

- Graças a Deus, triunfamos. Aceitamos esta vitória com dignidade e humildade. Somos apenas instrumentos do poder do povo - ele declarou, em Quito, quando se ampliou a margem de diferença entre os dois candidatos na apuração.

Noboa, por sua parte, recusa-se a reconhecer a derrota até o momento.

'Mudança radical'

Correa anunciou nomeações para seu governo antes mesmo que a contagem dos votos tenha se encerrado. Os economistas de esquerda Ricardo Patino e Alberto Acosta irão para os ministérios da área econômica e energética. Se eleito, o presidente esquerdista terá de fazer jus às suas promessas de "mudança radical" no país: ele se opõe a um acordo de livre-comércio com os Estados Unidos, e afirmou que fecharia uma base militar americana em território equatoriano.

Correa quer ainda renegociar a dívida externa equatoriana e contratos petroleiros com empresas estrangeiras. Ele propôs também voltar à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que o país deixou em 1992. Em campanha, o candidato defendeu também a instalação de uma Assembléia Constituinte para reescrever a Constituição do país. Mas um dos principais desafios de Rafael Correa tem sido convencer a classe empresarial de que não se submete aos desígnios do presidente venezuelano, Hugo Chávez, de quem se diz "amigo".

Depois do primeiro turno, quando perdeu para Noboa, Correa baixou o tom da comparação com Chávez, para evitar ser "contaminado" pela rejeição ao líder venezuelano.

Apesar da pouca experiência administrativa, Correa parece ter sido mais habilidoso em cativar os votos da população, desconfiada em relação às promessas do seu adversário. Em editoriais, a imprensa equatoriana deu a vitória de Correa como fato consumado. O diário Hoy pediu "um ambiente de unidade e concertação, que permita concretizar as reformas necessárias para superar a instabilidade política da última década".

O jornal El Comercio disse que o triunfo foi "legítimo e respeitável", e aconselhou o presidente a "não se desgastar em confrontos radicais no início da gestão".

Já o La Hora disse que o eleitorado votou "por uma mudança profunda do Estado, através de uma Assembléia Constituinte".

Os equatorianos têm visto muita instabilidade política nos últimos anos, tendo sete presidentes em dez anos. Desde 1997, três deles foram depostos.

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