O diplomata dos Estados Unidos no Equador Armando Astorga tem prazo até às 12h desta segunda-feira para deixar o Equador. O presidente daquele país, Rafael Correa, publicou neste domingo a ordem expedida na véspera para a expulsão "em 48 horas" do funcionário norte-americano, acusado de condicionar uma ajuda financeira para a polícia equatoriana ao direito para que o governo dos EUA selecionasse os responsáveis pelo desenvolvimento de um projeto antidrogas.
De acordo com o mandatário equatoriano, Astorga, teria enviado uma carta à direção da polícia informando o fim de um convênio de US$ 340 mil, que seriam destinados à luta contra o contrabando.
A decisão do governo dos Estados Unidos seria uma resposta à negativa do Equador em permitir que o governo norte-americano indicasse os responsáveis pela aplicação e desenvolvimento do convênio de cooperação. Na avaliação do governo equatoriano a proposta era um atentado à soberania do Equador.
– Trata-se de uma descarada e malcriada intervenção de um funcionário da embaixada dos EUA em assuntos do nosso país. Aqui não vamos aceitar que ninguém nos trate como colônia – disse Correa.
O presidente equatoriano disse que entregará uma carta na próxima segunda-feira à embaixada dos EUA dispensando também os US$ 160 mil anuais que os EUA outorgariam em apoio logístico e operativo para a construção de uma unidade contra o tráfico de pessoas.
– Senhor Astorga, fique com seu dinheiro sujo, não precisamos dele, aqui há dignidade. (...) O Equador não precisa da caridade de ninguém – disse Correa.
Segundo Correa, com o fechamento da base miliar norte-americana em Manta (Equador) prevista para 2010, o governo dos EUA teria pedido autorização para aterrissar, em território equatoriano, aviões de controle antidrogas. O presidente andino disse que também condicionará o pouso das aeronaves a que seu governo qualifique os pilotos dos aviões "para que não entre nenhum delinquente em nosso país".